Obrigado pela leitura! Gostou? Então compartilhe e ajude o WoW a reduzir o ruído na geopolítica.

MBS insta Trump a destruir o regime iraniano, vendo o conflito como uma chance única para o Oriente Médio. Riade teme que recuo dos EUA deixe Arábia Saudita vulnerável.

Imagem: Reuters

Você sabe o que está por trás das decisões políticas no Brasil? Quer entender como as relações internacionais impactam nosso país e as eleições de 2026? Então assine já o Mapa do Poder, seu acesso exclusivo às análises que realmente importam!

O Príncipe Herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman (MBS), estaria instando o presidente Donald Trump a prosseguir com a guerra até a queda definitiva do governo em Teerã.

Segundo relatos de bastidores, MBS vê o atual conflito como uma “oportunidade histórica” para redesenhar o Oriente Médio e eliminar a ameaça de longo prazo representada pela República Islâmica. O líder saudita defende que apenas a remoção do regime pode garantir a estabilidade do Golfo, e teria chegado até mesmo a sugerir operações terrestres e a ocupação de infraestruturas energéticas vitais, como a Ilha Kharg.

Embora o governo saudita negue publicamente a pressão para prolongar o conflito, os ataques retaliatórios de drones e mísseis iranianos já atingiram refinarias e cidades no Reino, ameaçando os ambiciosos projetos da “Visão 2030”. MBS argumenta que uma interrupção agora deixaria Riad vulnerável a um Irã enfurecido e capaz de fechar permanentemente o Estreito de Hormuz.

Enquanto Israel se contentaria com um Irã enfraquecido e caótico, MBS teme que um estado falido na sua fronteira seja tão perigoso quanto o regime atual. A pressão saudita coloca Trump em uma encruzilhada entre sua promessa de encerrar “guerras sem fim” e a lealdade ao seu principal aliado árabe.

VISÃO WOW

Astuto como poucos – virtude atestada por sua meteórica ascenção -, MBS parece enxergar oportunidade em meio ao caos.

Após anos tentando uma détente diplomática com o Irã, Riade parece ter chegado à conclusão de que a convivência é impossível sob o atual regime. Para MBS, a guerra iniciada pelos EUA e Israel não é apenas um conflito indesejado que respinga no Reino, mas a chance de lidar com o bicho papão persa de uma vez por todas. Na visão do príncipe-herdeiro, a instabilidade severa de curto prazo é preferível à ameaça permanente de uma potência regional hostil armada com mísseis e drones.

A “oportunidade histórica”, contudo, pode facilmente se converter em areia movediça. Toda o legado de modernização implementado por MBS, da abertura do país ao turismo aos megaprojetos de sua Visão 2030, dependerão de um éxito militar que é tudo menos garantido. Atrair investidores internacionais torna-se uma missão quase impossível quando mísseis explodem sobre refinarias e cidades. A confiança de MBS de que os danos ao mercado de petróleo são temporários baseia-se mais em “wishful thnking” que propriamente em dados.

Há, ainda, a divergência tática severa entre os aliados. Enquanto Israel foca em eliminar lideranças e capacidades nucleares, MBS quer a mudança de regime completa para evitar um novo estado falido, nascedouro de milícias. Se Trump optar por uma vitória tática e se retirar, a Arábia Saudita ficará sozinha para lidar com os estilhaços de um vizinho em chamas. O pedido de MBS por tropas terrestres americanas para tomar a Ilha Kharg mostra que ele sabe que o Reino não pode terminar o serviço sozinho, mas essa é uma demanda que colide frontalmente com o instinto de isolacionismo de parte da base MAGA de Trump, que segue bradando o “no more wars” de campanha.

MBS talvez tenha comprado as críticas que apontam um controle do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu sobre o governo norte-americano e agora queira também dar seus próprios pitacos na direção. Caso não calibre bem a iniciativa, porém, poderá acabar se indispondo com aliados e inimigos ao mesmo tempo.

Num cenário desses, sua Visão, qualquer que seja o ano, acabará bastante turva.

SUA VISÃO

A visão de MBS de que esta é uma “oportunidade histórica” para encerrar o problema iraniano é válida, ou os EUA deveriam buscar uma saída diplomática para evitar um conflito ainda mais devastador?

A discussão já começou em nosso canal oficial! Inscreva-se agora mesmo!

Leia mais:

Quer entender melhor o cenário atual? Leia também as últimas matérias que selecionamos para você.


Envie-nos o seu feedback em contato@wowgeopolitica.com.br.

Interessado em se conectar com leitores curiosos e informados? Anuncie conosco.

Obrigado pela leitura! Gostou? Então compartilhe e ajude o WoW a reduzir o ruído na geopolítica.