PIB da Alemanha pode crescer apenas 0,5% em 2026 devido à guerra no Irã. Governo Merz avalia aumento do IVA para fechar rombo orçamentário enquanto indústria química corta produção.

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A economia europeia começa a sentir os impactos severos do conflito no Irã, forçando governos a revisarem drasticamente suas expectativas para 2026.
Na Alemanha, o governo de Friedrich Merz já trabalha com um cenário interno onde o crescimento esperado para o PIB pode cair pela metade, passando de 1% para apenas 0,5%, caso o conflito no Oriente Médio se prolongue. O pessimismo não é isolado: a Itália prepara cortes semelhantes, e a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, alertou que o choque atual está “além do que podemos imaginar”.
Os reflexos concretos já são sentidos no continente, especialmente na indústria química alemã, com gigantes do país como a SKW Piesteritz operando no nível mínimo possível. O setor logístico do continente, por sua vez, enfrenta custos adicionais de até € 50 milhões semanais com combustível e seguros.
Para financiar o rombo orçamentário, que pode chegar a € 140 bilhões até 2029, o governo Merz discute medidas controversas, como o aumento do IVA de 19% para 21%, o que alimenta a retórica de oposição da direita radical (AfD), que já empata com os conservadores nas pesquisas nacionais.
Nesta sexta-feira (27), os ministros das finanças da UE encontram-se em reunião virtual, em um esforço de coordenação deliberado para evitar que a crise energética se transforme em recessão profunda.
VISÃO WOW
A revisão do crescimento alemão é o atestado de que o motor da Europa já engasga frente ao custo de energia e a incerteza geopolítica.
Merz e sua coalização, alçados ao poder com a promessa de restaurar a competitividade do país, encontram-se agora encurralados. A discussão sobre o aumento do IVA, diametralmente oposta à vedação a novos tributos que os conservadores sacramentaram no programa de governo, é um sinal de desespero fiscal: o chanceler corre o risco de quebrar uma promessa central de campanha e entregar de bandeja o discurso da “traição das elites” para a AfD, que capitaliza sobre o custo de vida em elevação.
O impacto nos setores intensivos em energia, como a química e a siderurgia, não é apenas um problema econômico: é uma ameaça à soberania tecnológica do bloco. Quando empresas apertam a torneira da produção, a inovação para, e a busca quase desesperada do continente por desenvolver tecnologias e complexos industrais novos emperra. Nesta conjuntura, o Made in Europe não sai do papel, a dependência externa perdura, e o ciclo se retroalimenta.
2026 começa a repetir a crise de 2022, após invasão russa à Ucrânia, mas com uma diferença crucial: com exceção de Berlim, a margem de manobra fiscal dos governos europeus está exaurida. Países como Reino Unido e França lutam contra dívidas recordes, e o mercado financeiro dá sinais claros de que possui pouco – ou nenhum – estômago para incremento de gastos públicos e auemnto do endividamento.
A interrupção do fluxo em Ormuz, ainda sem solução, garante que a inflação não será mera ameaça abstrata, mas sim realidade contratada. A Europa se vê, portanto, forçada a uma escolha temerária: elevar os juros para conter a inflação, sufocando o pouco crescimento que lhe resta, ou manter os juros baixos e ver o poder de compra das famílias derreter, alimentando movimentos populistas de ambos os espectros políticos.
Ainda que os argumentos de que esta guerra não é sua tenham substância, a Europa fecha os olhos à realidade: sem uma solução permanente – e global- para a questão em Ormuz, ficará a mercê da boa vontade iraniana em lhe conceder “passagem livre”. Hoje, o custo pode ser meramente o não engajamento direto. Amanhã, o que mais poderão os aitaolás exigir? O fim das sanções? Participação maior em negócios europeus? Ou, talvez, maior “liberdade” às minorias, já nem tão minortárias assim, muçulmanas no continente?
Não há respostas fáceis, mas o preço pela inação é seguir pulando de mestre em mestre. Rússia ontem, EUA hoje, Irã amanhã. Insistindo em unanimidade absoluta, seja interna ou global, a tão almejada autonomia jamais chegará.
SUA VISÃO
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