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Vice-chanceler descarta participação alemã no conflito, mesmo após petróleo romper a marca dos US$ 100 por barril. Von der Leyen decreta fim da antiga ordem mundial e G7 entra em emergência.

Imagem: Cezary Piwowarski

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No último sábado (07), o vice-chanceler alemão, Lars Klingbeil, rejeitou categoricamente a participação de Berlim no conflito com o Irã, disparando que esta “não é nossa guerra”.

A declaração expõe uma fratura profunda no governo de Friedrich Merz: enquanto o Chanceler inicialmente apoiou as ações de Donald Trump, a pressão interna e o risco de um colapso do Estado iraniano forçaram Berlim a um recuo estratégico.

Klingbeil alertou para o perigo de um mundo regido apenas pela “lei do mais forte”, ecoando o temor de que a campanha militar esteja atropelando o direito internacional.

Nesta segunda (09), porém, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e Kaja Kallas, principal diplomata do bloco, enviaram um aviso fúnebre à antiga ordem mundial, indo de encontro às ideias do alemão.

Von der Leyen afirmou que a Europa não pode mais ser a “guardiã de um mundo que não voltará” e deve abraçar uma política externa baseada no realismo e na força, em vez de apenas na nostalgia multilateralista.

Kallas, por sua vez, atribuiu a “erosão do direito internacional” à invasão russa da Ucrânia em 2022. Para ela, as ações de Moscou são responsáveis pelo retorno das “política de poder coercivas” que agora dominam o cenário internacional.

VISÃO WOW

Os eventos mudam, mas a dissonância intraeuropeia segue.

Após a recusa inicial do chanceler Friedrich Merz em condenar a guerra no Oriente Médio – que lhe rendeu reprimendas públicas de homólogos no bloco – , seu vice foi a público rejeitar de forma contundente qualquer envolvimento de Berlim no conflito.

Internamente, a divergência pontua a fragilidade da coalizão que sustenta Merz no poder, evidente desde o nascimento, em que uma histórica derrota parlamentar exigiu segunda votação para conduzi-lo ao posto.

Membro do parceiro – mas rival – Partido Social-Democrata, Klingbeil é, além de vice-chanceler, o ministro das Finanças. Em um momento em que Berlim precisa com urgência reformular seu modelo econômico, tê-lo a bordo é indispensável para que a Alemanha dê seguimento às mudanças, da flexibilização de seu nível de endividamento à modernização de seu parque industrial e seu complexo militar.

Frente a demandas tão prementes, a probabilidade é que Merz ceda, afastando-se veladamente de seu apoio aos ataques norte-americanos.

A nível europeu, contudo, há sinais de progresso.

Ainda que reiterando o compromisso do bloco com as “regras do sistema”, von der Leyen cedeu à realidade e admitiu que é preciso agora “encarar o mundo como ele é”. Para isso, reforçou a defesa por maior autonomia estratégica, a fim de evitar que a “fraqueza oriunda da dependência dê força desproporcional àqueles que querem fragmentar o mundo em esferas de influência”.

As posições são corretas e demonstram a evolução de pensamento no coração do bloco: um mundo ficou para trás, e, se não se mexer, a UE ficará para trás com ele. Isso não necessariamente implica adotar as mesmas políticas de coeração dos adversários – e aliados -, mas sim desenvolver capacidades próprias, tornar ativos e economias mais atrativos, reduzir burocracia e fugir de dependências.

Acima de tudo, é necessário enfrentar reformas institucionais que emperram a tomada de decisão e tiram dos investidores e parceiros a segurança necessária para se comprometer em longo prazo com o bloco.

Munida de tais capacidades, a Europa poderá participar como ator relevante no mundo, equilibrando o realismo da “política externa focada em interesses” de von der Leyen ao alerta de Klingbeil contra um mundo em que “apenas a lei do mais forte se aplica”.

SUA VISÃO

A Europa deve seguir o conselho de Von der Leyen e se rearmar para o “mundo como ele é”, ou a postura alemã de “não é nossa guerra” é o único caminho para evitar o suicídio econômico?

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