Impasse no financiamento à Ucrânia e guerra no Irã disparam pedidos pelo fim do poder de veto na UE. Alemanha lidera pressão por reforma radical em Bruxelas.

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A incapacidade da União Europeia em projetar poder e tomar decisões céleres deflagrou uma crise institucional sem precedentes em Bruxelas.
Diplomatas e líderes de países como Alemanha e Suécia intensificaram a pressão para uma reforma radical no sistema de votação, propondo a abolição da regra de unanimidade em favor da maioria qualificada nas políticas externa e de segurança.
O impasse atual, que mantém travado um empréstimo vital de US$ 90 bilhões para Kiev e sanções contra a Rússia, expõe como o sistema de veto permite que um único Estado-membro, frequentemente a Hungria de Viktor Orbán, sequestre a agenda geopolítica do bloco para atender a interesses domésticos.
As capitais europeias agora dividem-se em dois campos.
De um lado, Berlim lidera o movimento por uma UE “madura” e capaz de agir com decisão no cenário internacional. Propostas ventiladas sugerem inclusive a criação de um cargo de Ministro das Relações Exteriores da UE com poderes executivos. No espectro oposto, países como França e Bélgica resistem à mudança, temendo que o fim do veto anule a soberania nacional em temas sensíveis de defesa. Essa visão é partilhada ainda por estados menores, que receiam ser engolidos caso seu poder de veto seja restringido.
Enquanto segue a discussão, crescem as críticas ao Serviço Europeu de Ação Externa (EEAS), órgão responsável por gerir a diplomacia do bloco. Opositores classificam o serviço como ineficiente, e propoem sua substituição por um Conselho de Seguran Europeu, que poderia incluir parceiros externos, como Reino Unido e Noruega.
VISÃO WOW
Os males da unanimidade irrestrita em política externa e segurança já foram exaustivamente abordados neste espaço.
O mecanismo é um espelho da União Europeia como um todo: fruto de ideais louváveis – no caso, a busca por fazer do bloco um ator relevante sem alvejar tanto a sempre sensível soberania das capitais – , nem sempre aplicáveis à quase anarquia hobbesiana que domina as relações internacionais.
É ilusório crer que o problema seja somente a Hungria. Budapeste não passa de reflexo do problema estrutural. Hoje, Orbán trava sanções à Rússia e o – supostamente indispensável – socorro financeiro à Ucrânia. Todavia, mesmo que a população o descarte nas vindouras eleições do próximo dia 12, nada impede que discordâncias futuras estimulem a própria Hungria ou outros países a adotar expediente semelhante. O passado é rico em exemplos, inclusive de agora ferrenhos defensores da mudança, como Berlim.
Reconhecer condutas que não funcionam mais, contudo, é uma virtude, e a Alemanha acerta em tentar agora puxar a fila e corrigir o curso. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, também alardeou novos ventos e demonstrou mudança de postura similar em evento recente. As acusações de que estaria invadindo esfera alheia a sua competência evidenciam como egos inflados também são um empecilho constante dentro da União.
O fato é que insistir nas mudanças é rota inadiável.
A gradual abolição do poder de veto é o rumo a ser tomado, oferecendo eventuais ponderações que mitiguem o risco de anular as vozes de nações menores. Paralelamente, outras propostas, especialmente a ideia de abarcar o serviço diplomático dentro da estrutura da Comissão, responsável pela condução executiva, não apenas fazem sentido, como enviam uma mensagem positiva de desburocratização, outro problema perene, que por vezes o bloco acaba alimentando ao tentar combater.
Uma UE ágil e assertiva, capaz de acompanhar e responder tempestivamente às transformações aceleradas da conjuntura internacional, seria um ganho não apenas para a população europeia. O mundo todo seria beneficiado por um ator verdadeiramente relevante, estável e, quem sabe, sensato, apto a agir como o adulto da sala.
Da atratividade dos ativos ao arrefecimento das pressões nos extremos, as vantagens são disseminadas. Resta saber de quantas reuniões de emergência o bloco vai precisar para chegar lá.
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