União Europeia entra em paralisia após veto húngaro a socorro bilionário à Ucrânia. António Costa sobe o tom e classifica bloqueio como ‘violação de lealdade’.

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O encontro de chefes de Estado e de Governo da União Europeia terminou em impasse, nesta quinta-feira (19), após discussões infrutíferas sobre o empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, manteve o seu veto, condicionando a liberação dos fundos à normalização do fornecimento de petróleo russo por meio do oleoduto Druzhba, que acusa Kiev de ter bloqueado.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, reagiu com dureza, classificando a atitude de Budapeste como uma violação do princípio da cooperação leal entre Estados-membros. Costa afirmou que o empréstimo já tinha sido acordado em dezembro e que a questão do oleoduto é um assunto sem pertinência temática com o objeto de debate do encontro.
A tensão diplomática subiu de tom com críticas de ambos os lados. António Costa aproveitou a ocasião para condenar também declarações recentes de Volodymyr Zelensky, que terá ameaçado expor coordenadas da localização de Viktor Orbán a soldados ucranianos caso o bloqueio persistisse. Para o presidente do Conselho Europeu, tais afirmações são inaceitáveis e prejudicam a coesão da União Europeia e a própria causa ucraniana. A maioria dos líderes europeus manifestou concordância com as críticas de Costa contra o veto húngaro.
Volodymyr Zelensky, que já se comprometeu a reativar o oleoduto, rejeita as acusações húngaras, classificando a interrupção do petróleo como consequência direta de ataques russos ocorridos em janeiro. O presidente ucraniano sustenta que está diante de chantagem inaceitável, uma vez que está em jogo a sobrevivência de seu país.
VISÃO WOW
A situação é considerada urgente para a Ucrânia, uma vez que poderá ficar sem financiamento em maio, o que decerto comprometeria a sua defesa territorial. Agrava a situação o fato de provavelmente não haver uma solução para o impasse antes das eleições húngaras, que devem ocorrer em 12 de abril.
O cenário retrata a geopolítica de forma mais crua, pois vemos, em meio a uma guerra, estratégias de poder que se movem entre um emaranhado composto por pretensões eleitorais, importância dos recursos naturais e defesa territorial. Atualmente, vê-se uma União Europeia fragmentada, que tem sofrido pressão interna e externa e que, desse modo, passa por um dos maiores testes de sobrevivência de toda a sua (recente) história.
No caso, vemos uma postura abusiva do poder de veto de Orbán. A questão do oleoduto Druzhba não tinha pertinência temática com o assunto debatido entre líderes europeus e tampouco guardava proporcionalidade perante as questões ucranianas, sabidamente ligadas à própria existência do país.
Por outro lado, a ameaça de fornecer as coordenadas ao exército ucraniano é um erro diplomático que concede a Orbán o papel de vítima, além de servir de subterfúgio para medidas periclitantes, exatamente como demonstra o veto instrumentalizado. Também é verdade que Zelensky pode passar uma mensagem de instabilidade e, assim, atrapalhar o trabalho de aliados.
É possível observar, portanto, que os ideais europeus de cooperação não estão sendo privilegiados da forma como deveriam e que existe uma crise de autoridade, na medida em que Orbán nitidamente joga com toda a União Europeia, enquanto o que deseja na verdade é cuidar da sua popularidade em consonância com suas pretensões em eleições locais.
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É legítimo o exercício do direito ao veto quando ele deixa de proteger interesses nacionais vitais e passa a ser utilizado como instrumento de pressão em temas alheios ao contexto em que foi levantado?
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