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China e Rússia condenam ataques ao Irã, mas negam apoio militar. Pequim prioriza comércio com EUA e estabilidade no Golfo, enquanto Moscou aproveita preços elevados e maior market share para seu petróleo.

Imagem: Ebrahim Noroozi/AP

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China e Rússia reagiram com condenações retóricas, mas sem promessas de auxílio prático, ao terceiro dia de bombardeios dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

O Ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, classificou como “inaceitável” o uso da força e a instigação de uma mudança de regime durante negociações diplomáticas. Apesar da “parceria estratégica” e da entrada de Teerã no BRICS, Pequim sinaliza que não pretende se envolver militarmente em um conflito prolongado no Oriente Médio.

O Kremlin, por sua vez, embora dependente dos drones iranianos para a guerra na Ucrânia, também se limitou a notas de repúdio, evidenciando o isolamento de Teerã.

A cautela de Pequim reflete prioridades econômicas e a necessidade de manter a détente com Donald Trump antes de uma reunião bilateral prevista para este mês. Para a China, a instabilidade no Estreito de Hormuz ameaça 12% de suas importações de petróleo, mas o alinhamento com nações como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos pesa mais que a lealdade a Teerã.

Analistas sugerem que a China pode oferecer moderação em seu envolvimento como moeda de troca em temas como Taiwan e comércio.

VISÃO WOW

A desgraça de um pode muito bem ser a benesse de outros. E isso vale até para os supostos amigos.

Confirmando na prática o que o mundo já desconfiava na teoria, Pequim e Moscou dispararam contra a ofensiva norte-americana. Mas sequer se deram ao trabalho de usar balas de festim.

Atacando com condenações retóricas e nada além, os principais aliados iranianos deixaram claro que sua opção como “rota alternativa” ao ocidente oferece uma via bastante esburacada, recheada da mesma falta de compromissos e marcada pela mesma instabilidade que condenam nos adversários.

Os motivos não exigem muita da compreensão.

O comedimento chinês torna-se munição e moeda de troca valiosa no seguinte de sua détente com os Estados Unidos.

É o sonho de qualquer um: ganhar pelo simples ato de fazer pouco. Ou nada. A interrupção dos fluxos de petróleo exportados por Teerã é facilmente suplantada por outros parceiros no Oriente Médio, dos quais Pequim já vem há tempos se aproximando. Se não terá, nesse caso, o mesmo poder de barganha que teria frente a um pária internacional, ao menos não precisará de tamanha engenhosidade para evitar sanções.

No caso russo, o benefício é ainda mais direto.

A pressão imediata sobre os mercados de energia já cria um windfall de receitas e reserva internacional de que Moscou desesperadamente necessita. Além disso, sem o Irã na conjuntura, Moscou pode ela própria suprir as necessidades chinesas e se aproximar ainda mais do parceiro asiático. Não é todo dia que se recebe dividendos financeiros e políticos com tão pouco esforço.

No fim das contas, o eixo “CRINK” de fato envolvia confluência de interesses. Estes apenas não eram necessariamente mútuos. Interessados potenciais fariam bem em colocar isso na balança.

SUA VISÃO

O abandono prático do Irã por seus aliados sinaliza o fim das pretensões chinesas de liderar uma ordem de segurança alternativa ou é apenas um recuo estratégico temporário?

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