Parlamento Europeu congela ratificação do acordo comercial com EUA após Trump elevar tarifas globais para 15%. Diplomatas citam “caos jurídico” e incerteza sobre o futuro do pacto.

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O Parlamento Europeu suspendeu nesta segunda-feira (23) a ratificação do Acordo de Turnberry, o pacto comercial firmado com os Estados Unidos no ano passado.
A decisão de paralisar os trabalhos legislativos ocorreu após a Suprema Corte americana derrubar as tarifas originais de Donald Trump, o que ironicamente gerou um vácuo jurídico e levou o presidente a impor novas taxas globais.
Segundo o eurodeputado alemão Bernd Lange, presidente do Comitê de Comércio Internacional, a votação prevista para esta terça-feira (24) foi adiada porque a nova tarifa de 15% anunciada por Trump agora funciona como uma “sobretaxa” em vez de um teto consolidado. O temor em Bruxelas é que os produtos europeus acabem taxados em níveis muito superiores ao que foi negociado inicialmente na Escócia.
A paralisação reflete a desconfiança mútua que tomou conta das relações transatlânticas após a reviravolta judicial. Enquanto o Comissário de Comércio da UE, Maroš Šefčovič, defende que “um acordo é um acordo” e apela pela manutenção do cronograma, os negociadores parlamentares exigem garantias de que Washington não usará outros mecanismos para punir os exportadores do bloco.
Os parlamentares se reunirão novamente no próximo dia 4 de março para reavaliar se o pacto ainda serve aos interesses da União Europeia ou se o caos tarifário de Trump tornou o acordo juridicamente obsoleto.
VISÃO WOW
A suspensão do acordo pelo Parlamento Europeu, liderada pelo veterano Bernd Lange, é um movimento de autodefesa contra a imprevisibilidade de Washington.
A ideia inicial era que o Acordo de Turnberry funcionaria como um “mal menor”: aceitava-se uma taxa de 15% para evitar os 30% prometidos por Trump e garantir que a manufatura europeia não fosse devastada. Todavia, a manobra de Trump de converter a derrota na Suprema Corte em uma nova ofensiva de 15% mudou a matemática do poder.
Se a UE ratificar o acordo agora, corre o risco de abrir seu mercado para produtos agrícolas americanos sem ter a certeza de que suas próprias exportações não serão sobretaxadas em até 30% em casos específicos.
Além disso, a hesitação de Bruxelas expõe a fragilidade da “paz armada” entre Trump e Ursula von der Leyen. O temor é de que a instabilidade jurídica nos EUA acabe por minar a competitividade industrial europeia em um momento de estagnação.
Caso a ratificação de fato não ocorra em março, a UE precisará decidir entre a submissão a tarifas flutuantes ou a retaliação agressiva através de sua “bazuca”, o instrumento anticoerção. O filme iniciado em 2025 segue: a diplomacia comercial tornou-se um jogo de sombras onde ninguém sabe se as regras assinadas hoje ainda valerão amanhã.
SUA VISÃO
A União Europeia deve ratificar o acordo mesmo sob incerteza para evitar uma escalada ou deve usar a suspensão como alavanca para exigir termos mais claros e estáveis de Washington?
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