Chevron, Eni e QatarEnergy vencem licitações na Líbia no primeiro leilão de petróleo do país desde 2007. O certame, realizado em termos mais atrativos, visa a elevar a produção para 2 milhões de barris por dia até 2030.

Gigantes do setor de energia, incluindo Chevron, Eni SpA e QatarEnergy, garantiram direitos de exploração de petróleo e gás na Líbia no primeiro leilão de licenças promovido pelo país em 19 anos.
O certame, anunciado pela estatal National Oil Corp (NOC), marca a reabertura formal da nação detentora das maiores reservas da África ao investimento estrangeiro, após quase duas décadas de paralisia institucional e guerra civil. Dos 20 blocos oferecidos em áreas terrestres e marítimas, cinco receberam lances válidos, sinalizando um retorno cauteloso, porém estratégico, das petroleiras ao coração do Mediterrâneo.
O interesse renovado na Líbia ocorre em um momento de recalibragem global, onde as projeções de demanda resiliente por combustíveis fósseis superam o ritmo da transição energética. A confiança para expandir em regiões politicamente sensíveis tem sido impulsionada pela política externa assertiva do governo Donald Trump, que oferece lastro diplomático para a atuação de empresas americanas em territórios complexos. A Chevron, por exemplo, garantiu licença na bacia de Sirte, a área onshore mais prolífica do país, consolidando sua volta definitiva ao tabuleiro líbio.
Apesar da Líbia permanecer dividida entre governos rivais ao leste e oeste, a NOC busca elevar a produção nacional dos atuais 1,4 milhão para 2 milhões de barris por dia até 2030. Para seduzir investidores ainda receosos com a instabilidade crônica, as autoridades ofereceram novos contratos de partilha de produção com termos fiscais aprimorados e recuperação de custos simplificada. Estima-se que os blocos ofertados contenham cerca de 10 bilhões de barris em recursos disponíveis, além de outros 18 bilhões ainda por descobrir.
Sobre a necessidade de ajustes para os blocos que não receberam ofertas, o presidente da NOC, Masoud Suleiman, afirmou em entrevista:
“Haverá uma nova rodada de licitações em breve, prevista ainda para este ano. As negociações ocorrerão para melhorar os termos e alcançar um entendimento entre o comitê de licitação e os investidores internacionais.”
O movimento atual foca no pragmatismo energético e na infraestrutura de gás voltada à Europa. Acordos recentes com a TotalEnergies e a ConocoPhillips, que preveem investimentos de US$ 20 bilhões em 25 anos, já pavimentam o caminho para a retomada das exportações via gasodutos.
Vencer a apatia de quase vinte anos exige mais que apenas geologia favorável; demanda a percepção de que o risco político agora é compensado por margens de lucro mais claras. A Líbia tenta provar que, apesar de suas feridas abertas, continua sendo uma peça indispensável no quebra-cabeça do suprimento global.
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