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Presidente discute a saída dos EUA do USMCA, elevando a tensão nas renegociações com México e Canadá. O movimento visa a obter concessões em tarifas, imigração e defesa antes do prazo de renovação em julho.

Imagem: Independent/Getty

O presidente Donald Trump discute reservadamente a possibilidade de retirar os Estados Unidos do USMCA, o acordo comercial que ele mesmo assinou em seu primeiro mandato para substituir o NAFTA.

Segundo fontes próximas ao Salão Oval, o presidente tem questionado assessores sobre as vantagens de um abandono formal do pacto, em um movimento que transforma a revisão obrigatória do tratado, prevista para julho, em uma negociação de alta voltagem. A incerteza já reflete nos mercados, com o dólar canadense e o peso mexicano registrando perdas imediatas frente à moeda americana nesta quarta-feira (11).

A estratégia de Trump parece mirar concessões adicionais de Ottawa e da Cidade do México em temas que extrapolam o comércio, como imigração, narcotráfico e defesa.

O Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, indicou que o governo pretende manter todas as opções abertas, argumentando que a ratificação automática dos termos de 2019 não atende ao interesse nacional. Greer sinalizou que as conversas devem seguir caminhos bilaterais e distintos, classificando o diálogo com os mexicanos como “pragmático”, enquanto a relação com o Canadá de Mark Carney torna-se cada vez mais “desafiadora”.

O impasse coloca em xeque uma relação comercial que movimenta aproximadamente US$ 2 trilhões. Se os países não chegarem a um consenso para a renovação até julho, o acordo pode entrar em um regime de revisões anuais obrigatórias até sua expiração em 2036.

Para Trump, o USMCA tornou-se “irrelevante” diante de sua nova doutrina tarifária, chegando a afirmar em visita recente a uma fábrica da Ford que o problema central é que os EUA “não precisam dos produtos” de seus vizinhos.

A retórica agressiva, contudo, encontra ceticismo entre os parceiros. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, minimizou a probabilidade de uma ruptura, classificando os rumores como especulação. No Canadá, o clima é de tensão: o boicote popular a produtos americanos e a interrupção de viagens ao sul refletem o desgaste diplomático.

Resta saber se a ameaça de Trump é um fim em si mesmo ou apenas o “estilo da casa” para obter alavancagem nas negociações. O custo de um erro de cálculo nas fronteiras pode ser alto demais para uma economia que, apesar do discurso de autossuficiência, ainda respira através de suas veias continentais integradas.

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