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Ursula von der Leyen defende “cooperação reforçada” para acelerar economia e defesa da UE. A medida permite que grupos de países avancem sem unanimidade, criando uma Europa a duas velocidades.

Imagem: Michael Probst

A Comissão Europeia avalia formalmente o uso do mecanismo de “cooperação reforçada” para acelerar políticas de competitividade e defesa, permitindo que grupos de países avancem sem a necessidade de unanimidade entre os 27 Estados-membros.

Em carta enviada a líderes antes da cúpula desta quinta-feira (12), a presidente Ursula von der Leyen afirmou que, embora o consenso seja a meta, o bloco não deve hesitar em utilizar as possibilidades previstas nos Tratados para evitar que a falta de fôlego de alguns membros comprometa a capacidade de ação de todo o continente.

A movimentação ocorre em um cenário de estagnação industrial e pressões tarifárias externas, onde a lentidão decisória de Bruxelas é vista como uma vulnerabilidade estratégica. A criação do “E6”, grupo informal liderado por Alemanha, França e Itália, já sinaliza a tendência. O grupo busca progresso célere em áreas como cadeias de suprimentos e defesa, estendendo o convite a outros parceiros, mas sem condicionar o ritmo à adesão total do bloco.

Sobre a necessidade de romper o imobilismo, o ex-presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, defendeu recentemente o conceito de integração seletiva:

“Este método quebra o impasse que enfrentamos hoje e faz isso sem subordinar ninguém. A porta permanece aberta aos outros, mas não àqueles que minariam o propósito comum.”

A utilização de dívida conjunta de € 90 bilhões para a Ucrânia, da qual Hungria e Eslováquia se retiraram, serviu como o primeiro teste real de uma política externa financiada sob este modelo de “geometria variável”. A percepção é que as amarras da unanimidade produzem, no melhor dos casos, o menor denominador comum. E, no pior, a irrelevância absoluta frente à China e aos Estados Unidos de Donald Trump.

Na prática, a Europa a duas velocidades já é uma realidade tangível na Zona do Euro e no Espaço Schengen. A diferença agora reside na escala: o Artigo 20 do Tratado de Lisboa deixa de ser um instrumento para questões burocráticas, como patentes e leis de divórcio, para se tornar a espinha dorsal de um novo complexo militar e industrial. Trata-se de uma tentativa de salvar o projeto europeu através de um federalismo de conveniência.

O risco dessa manobra, contudo, é a cristalização de um abismo entre o centro dinâmico e a periferia relutante, tornando o objetivo fundacional da União uma peça de museu.

Vencer a apatia exige rapidez, mas a liderança europeia precisará de habilidade para evitar que, ao tentar acelerar o motor, acabe desconectando os vagões que não conseguem acompanhar o passo. No final das contas, o bônus da agilidade pode custar o ônus da fragmentação definitiva.

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