Macron alerta que a UE enfrenta uma tentativa de “desmembramento” pelos EUA e pede urgência na criação de dívida comum para financiar defesa e tecnologia. Francês quer política de poder para enfrentar Washington.

O presidente francês, Emmanuel Macron, lançou um alerta definitivo: a União Europeia está sob ameaça direta de “desmembramento” pela administração de Donald Trump e precisa reagir com uma agressividade inédita.
Em entrevistas, Macron diagnosticou que o bloco vive um “momento Groenlândia”, uma referência às táticas de intimidação de Washington para obter concessões geopolíticas. Para o líder francês, o recuo temporário dos EUA em tarifas recentes é uma ilusão que esconde ataques iminentes aos setores farmacêutico e tecnológico europeus.
O ponto de ruptura mais próximo deve ocorrer na regulação digital. Macron prevê um choque direto nos próximos meses, motivado pelos planos de diversos países europeus, incluindo Espanha, Polônia e Holanda, de proibir o uso de redes sociais por crianças. A medida atingiria gigantes como Meta, TikTok, X e Google, cortando o acesso a milhões de usuários e bilhões em receitas publicitárias. Macron foi enfático:
“Os EUA irão, nos próximos meses, não tenho dúvida, nos atacar por causa da regulação digital. Este deve ser o momento do despertar.”
Para sustentar essa resistência, Macron insiste na criação de uma capacidade de dívida comum permanente por meio de eurobonds. Ele argumenta que a UE comete um “erro profundo” ao não utilizar seu poder de endividamento enquanto EUA e China despejam subsídios massivos em defesa e tecnologia verde. O Palácio do Eliseu estima a necessidade de € 1,2 trilhão por ano em investimentos para garantir que a Europa não seja “varrida do mapa” na corrida tecnológica global.
No entanto, a visão de Macron enfrenta a tradicional resistência de Berlim e dos países do norte, os chamados “frugais”. A proposta de tornar permanente o modelo de dívida conjunta usado na pandemia ainda é um tabu financeiro na Alemanha. Macron, porém, rejeita o pragmatismo da conciliação:
“Quando há uma agressão flagrante, não devemos nos curvar ou tentar chegar a um acordo. Tentamos essa estratégia por meses e ela não funciona. Ela leva a Europa a aumentar sua dependência.”
A cúpula de líderes europeus na Bélgica esta semana será o palco do embate. Além da dívida comum, os líderes discutirão a estratégia “Made in Europe”, que visa estabelecer requisitos mínimos de conteúdo local em bens fabricados no bloco. Enquanto Macron tenta consolidar uma autonomia estratégica que blinde a Europa de choques externos, o continente permanece dividido entre o medo da retaliação de Trump e a urgência de soberania.
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