Ucrânia começa a mover partes da rede elétrica para bunkers subterrâneos como resposta a ataques russos que visam substations e deixam milhões sem energia no inverno.

A Ucrânia está movendo partes estratégicas da sua rede elétrica para instalações subterrâneas como forma de proteger sua infraestrutura de energia contra ataques russos. A medida tem como objetivo reduzir a vulnerabilidade da malha de distribuição de eletricidade depois de uma série de ofensivas de mísseis e drones russos que visaram subestações e outras instalações críticas, deixando milhões de pessoas sem energia em pleno inverno.
Até agora, uma subestação foi realocada para um bunker de concreto subterrâneo e uma segunda está em construção, disse Vitaliy Zaichenko, CEO da Ukrenergo, a empresa estatal que opera a rede elétrica ucraniana. Embora essa proteção seja uma resposta técnica à agressão, ela não resolve por si só a crise energética mais ampla causada pela ofensiva contra a infraestrutura nacional.
O plano de enterrar subestações faz parte de um esforço mais amplo de defesa de infraestrutura iniciado em 2023. A Ukrenergo já cobriu mais da metade dos transformadores com escudos de concreto para reduzir danos provocados pelos ataques, um esforço que custou cerca de US$ 300 milhões e que deve ser concluído até o verão. No entanto, proteger todos os componentes essenciais da rede exigirá décadas e financiamento externo substancial.
A empresa busca agora reestruturar sua dívida e negociar financiamento com instituições como o Banco Europeu de Investimento (EIB), que já financiou projetos de proteção contra drones em 2024. O EIB disse que “continua explorando” maneiras de apoiar a proteção da infraestrutura crítica de energia ucraniana, mas ainda não confirmou um novo pacote de investimentos.
Especialistas apontam que mover partes da rede para baixo da superfície pode fortalecer a resiliência da Ucrânia diante de ataques futuros, mas que a solução é cara, complexa e ainda insuficiente para eliminar a ameaça russa sobre o sistema elétrico nacional, que tem sido alvo de ondas de ataques nos últimos anos.
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