Governo aprova medidas que facilitam a compra de terras e expandem poderes policiais a áreas administradas pela Autoridade Palestina. A iniciativa pode acelerar assentamentos e dificultar uma solução de dois Estados.

O gabinete de segurança de Israel aprovou medidas que alteram drasticamente a realidade jurídica da Cisjordânia. As novas diretrizes facilitam a compra de terras por israelenses e garantem ao governo o poder de policiar infrações ambientais, arqueológicas e de recursos hídricos nas Áreas A e B, territórios que, sob os Acordos de Oslo, deveriam ser administrados pela Autoridade Palestina (AP).
Lideradas pelo ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, as mudanças revogam leis remanescentes do período em que a Jordânia controlava a região (pré-1967), como a proibição de venda de terras para estrangeiros. Além disso, os registros de imóveis, antes selados, passarão a ser públicos, facilitando a abordagem de proprietários palestinos por compradores israelenses. O ministro foi taxativo.
“Esta realidade está finalmente enterrando a ideia de um Estado palestino, porque não há nada a reconhecer e ninguém a reconhecer.”
O movimento ocorre em um momento de isolamento diplomático de Israel, após países como Reino Unido e França reconhecerem simbolicamente o Estado da Palestina no ano passado. Especialistas alertam que o enfraquecimento da AP prejudica a própria segurança de Israel, já que o órgão atua como um “amortecedor” na gestão do dia a dia e no combate ao terrorismo.
A expansão é agressiva: apenas em 2025, o número de postos avançados saltou para mais de 300, conforme dados do grupo Peace Now. A decisão do gabinete precede um encontro entre Benjamin Netanyahu e Donald Trump em Washington, onde o tema da anexação, vetado anteriormente por Trump para preservar os Acordos de Abraão, deve ser central. Para líderes colonos, a decisão é uma vitória estratégica contra o legado da década de 90.
“Este é mais um prego no caixão dos Acordos de Oslo.”
Com a infraestrutura e os assentamentos dividindo a Cisjordânia em um mosaico cada vez mais fragmentado, a viabilidade física de uma solução de dois estados torna-se tecnicamente quase impossível. O avanço administrativo consolida o controle israelense sobre áreas vitais de um futuro Estado palestino, transformando a ocupação em uma presença permanente e de difícil reversão política.
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