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Friedrich Merz afirmou que a UE é uma alternativa democrática ao imperialismo e que a Europa deve ser tratada como aliada, não subordinada, pelos EUA. Alemão defendeu autonomia estratégica para o continente.

Imagem: Friedemann Vogel/EPA

Em um discurso contundente ao Parlamento alemão na última quinta-feira (05), o chanceler Friedrich Merz posicionou a União Europeia como um contraponto estratégico em um mundo dominado pela rivalidade entre grandes potências.

Merz classificou o bloco como uma “alternativa ao imperialismo e à autocracia”, capaz de atrair parceiros globais através de um modelo baseado no respeito mútuo e na previsibilidade. A definição representa uma clara distinção ao estilo transacional adotado pela atual administração de Donald Trump nos Estados Unidos.

O chanceler sublinhou que, embora o valor da OTAN e a confiança transatlântica permaneçam fundamentais, a Europa não aceitará mais uma posição de subserviência. O pronunciamento ocorre uma semana após Trump retirar ameaças tarifárias contra a Alemanha e outros sete países europeus, que visavam pressionar a Dinamarca a ceder o controle da Groenlândia aos EUA. Merz foi enfático.

“Como democracias, somos parceiros e aliados, e não subordinados. Não permitiremos que um mundo de grandes potências nos intimide novamente.”

Merz também aproveitou o palanque para responder às recentes críticas de Trump, que questionou a lealdade dos aliados da OTAN e sugeriu que tropas não americanas evitaram a linha de frente no Afeganistão. Relembrando os 59 soldados alemães mortos e mais de uma centena de feridos durante os 20 anos de missão, o chanceler rejeitou o que chamou de “depreciação” do sacrifício aliado realizado no interesse dos Estados Unidos.

A visão de Merz para a Europa envolve “aprender a linguagem da política de poder”. Isso inclui o fortalecimento da defesa, a busca pela independência tecnológica e a aceleração de acordos comerciais estratégicos. O chanceler é um entusiasta de pactos como o firmado recentemente com a Índia e o aguardado acordo com o Mercosul. Para ele, a atratividade do mercado europeu é a maior arma do bloco.

“Não devemos subestimar o quão atraente este modelo europeu pode ser para novos parceiros e novas alianças. Somos uma alternativa normativa no mundo.”

Merz sinaliza que a Alemanha sob seu comando não recuará diante de pressões unilaterais. O objetivo é claro: transformar a UE em um ator geopolítico autônomo, capaz de navegar a política global sem perder sua essência democrática ou a relevância econômica.

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