Washington intensifica a pressão para que Pequim integre um novo tratado de controle de armas. Enquanto a China nega as acusações, o vácuo diplomático eleva o risco de uma nova corrida armamentista global.

O cenário da segurança global sofreu um abalo sísmico nesta sexta-feira (06). Em Genebra, os Estados Unidos acusaram formalmente a China de realizar testes nucleares clandestinos em 2020, utilizando técnicas de “desacoplamento” para ludibriar o monitoramento sísmico internacional.
A denúncia surge em um momento crítico: o tratado New START, o último pilar que limitava os arsenais estratégicos de Washington e Moscou, expirou oficialmente na quinta-feira (05), deixando as maiores potências nucleares do mundo sem restrições vinculativas pela primeira vez em mais de meio século.
A administração de Donald Trump aproveitou o vácuo regulatório para pressionar por um novo acordo trilateral que inclua Pequim, cujo arsenal está em rápida expansão. O Subsecretário de Estado Thomas DiNanno revelou que o governo americano detectou explosões nucleares com rendimentos projetados em centenas de toneladas, especificamente em 22 de junho de 2020. DiNanno foi enfático ao justificar a necessidade de uma nova arquitetura de controle.
“Hoje, os Estados Unidos enfrentam ameaças de múltiplas potências nucleares. Um tratado bilateral com apenas uma potência nuclear é simplesmente inapropriado em 2026.”
Pequim, por sua vez, classificou as acusações como “narrativas falsas” e “mentalidade de Guerra Fria”. O embaixador chinês Shen Jian reiterou que a China possui uma fração das ogivas mantidas por russos e americanos, cerca de 600 unidades frente as 4.000 de cada um dos rivais, e reforçou que o país não participará de negociações trilaterais neste estágio. Para a diplomacia chinesa, os EUA são os verdadeiros culpados pelo agravamento da corrida armamentista.
A expiração do New START ocorre em um ambiente tecnológico muito mais complexo do que o de 2010. Enquanto a Rússia desenvolve sistemas “alternativos”, como o torpedo Poseidon, Washington promete construir o “Domo de Ouro”, um sistema de defesa antimíssil baseado no espaço. Especialistas em segurança alertam que a ausência de um tratado substituto incentiva o pior cenário: uma corrida baseada em suposições, onde cada lado amplia seu arsenal para evitar a desvantagem estratégica.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, indicou que Moscou está pronta para qualquer cenário, mas mantém o diálogo aberto. Contudo, a insistência russa em incluir o Reino Unido e a França nas negociações acrescenta mais uma camada de dificuldade diplomática.
Sem um novo marco regulatório, o mundo entra em uma zona de incerteza onde o risco de erros de cálculo aumenta proporcionalmente ao desenvolvimento de novas armas, forçando as demais nações a reconsiderarem suas próprias posturas de defesa. Cria-se, assim, um círculo vicioso.
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