Pretória finaliza acordo de isenção tarifária com a China para diversificar exportações e reduzir o impacto das tarifas de impostas pelos EUA. O movimento reforça a guinada em direção ao BRICS e a parceiros não ocidentais.

Em um movimento que sinaliza uma recalibragem estratégica de sua política externa, a África do Sul está finalizando um acordo para garantir acesso isento de impostos ao mercado chinê. O Ministro do Comércio, Parks Tau, viajou a Pequim para selar o pacto, que surge em um momento de vulnerabilidade econômica para Pretória, pressionada por tarifas agressivas impostas pela administração de Donald Trump.
A China já se consolidou como o maior parceiro comercial individual da África do Sul, superando a União Europeia em 2023. Atualmente, a pauta de exportação sul-africana para o gigante asiático é dominada por minerais e produtos agrícolas, setores que devem ser os principais beneficiários da redução tarifária na segunda maior economia do mundo. Segundo o ministério do comércio sul-africano:
“Esta viagem ocorre em um momento em que a África do Sul persegue um objetivo de diversificação de mercado e crescimento das exportações.”
A aproximação com Pequim é uma resposta direta ao desgaste nas relações transatlânticas. Em agosto do ano passado, Washington impôs tarifas de 30% sobre diversos produtos sul-africanos, gerando temores de perda massiva de empregos em setores vitais. O governo tentou renegociar os termos com os EUA, mas o progresso incerto sob a administração Trump alimentou a urgência de buscar mercados alternativos.
O acesso livre à China não é apenas uma medida paliativa, mas um esforço para atrair novos investimentos chineses em manufatura e setores de valor agregado. Pretória busca reduzir sua dependência histórica de mercados ocidentais e estabilizar suas receitas de exportação frente a choques unilaterais.
Essa determinação em diversificar as opções comerciais coloca a África do Sul no centro da disputa de influência entre as grandes potências. Ao fortalecer sua posição dentro do bloco BRICS e do Sul Global, o governo sul-africano tenta mitigar os danos de uma relação instável com Washington, priorizando um pragmatismo econômico que parece cada vez mais distante das órbitas tradicionais.
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