Ratings na África alcançam o melhor patamar em cinco anos. Crescimento de 4,5% e queda da inflação favorecem reformas, apesar do desafio dos US$ 90 bilhões em dívidas externas para 2026.

As classificações de crédito soberano na África atingiram o nível mais alto desde 2020, impulsionadas por reformas econômicas e pela retomada do crescimento. De acordo com um relatório da S&P Global Ratings, o cenário para o continente permanece positivo, favorecido pela moderação da inflação, valorização das moedas locais e estabilidade nos preços das commodities.
A redução das taxas de inflação deve baratear os custos de financiamento em moeda local para diversos governos africanos. Esse ambiente mais favorável facilita a implementação de reformas fiscais e o aumento da arrecadação estatal. Entretanto, o peso da dívida externa continua sendo um desafio relevante, com pagamentos de principal estimados em cerca de US$ 90 bilhões de dólares para 2026, montante três vezes superior ao registrado em 2012.
O Egito lidera o volume de obrigações, respondendo por aproximadamente US$ 27 bilhões de dólares em pagamentos programados para este ano. Apesar do fardo, o país norte-africano recebeu uma elevação em sua nota de crédito recentemente, sustentada pela liberalização do regime cambial e pela melhora nas contas externas. Nigéria, Angola e África do Sul também figuram entre os maiores devedores do continente, enfrentando cronogramas de pagamento que se aproximam do pico.
A S&P projeta que o crescimento real médio das economias africanas se manterá em 4,5%, com os déficits fiscais encolhendo levemente para 3,5% do PIB em 2026. A valorização de minerais como ouro e cobre deve beneficiar nações como África do Sul, Zâmbia e República Democrática do Congo. No caso sul-africano, espera-se que os riscos fiscais atrelados à estatal de energia Eskom comecem a recuar.
“Uma inflação mais baixa deve moderar os custos de financiamento em moeda local para muitos governos,” destacou o analista Benjamin Young, “e criar um ambiente mais propício para a implementação de reformas de aumento de receita”.
No entanto, a agência alerta que a fragmentação global e a mudança no contexto geopolítico podem gerar volatilidade e complicar o planejamento fiscal dos países.
“Um ambiente global mais fragmentado, marcado por mudanças nas relações comerciais e alianças políticas, poderia aumentar a incerteza em torno do crescimento global,” concluiu a agência.
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