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Espanha e Portugal cresceram mais que o dobro da zona do euro no fim de 2025, impulsionados por consumo, turismo e comércio exterior. Em contraste, demais economias do continente seguem estagnadas.

Imagem: Louis Droege/Lisboa Secreta

Enquanto a zona do euro segue avançando em marcha lenta, Espanha e Portugal decidiram apertar o passo. No último trimestre de 2025, as duas economias ibéricas cresceram mais que o dobro da média do bloco, em um contraste que diz muito sobre os limites e as assimetrias do projeto europeu.

Segundo dados preliminares da Eurostat, espanhóis e portugueses registraram expansão de 0,8% no período, frente aos modestos 0,3% da zona do euro. No acumulado de 2025, a Espanha cresceu 2,8%, quase o dobro da média do bloco e muito acima de potências tradicionais como Alemanha e França, que seguem presas a baixo dinamismo e incertezas estruturais.

No caso espanhol, o motor foi essencialmente doméstico. O consumo das famílias avançou 1,0% no trimestre, sustentado por inflação mais comportada e preços de energia em queda. O investimento cresceu 1,7%, enquanto o gasto público ficou praticamente estável. Turismo, serviços e construção civil completaram o quadro, ajudando Madri a colher dividendos econômicos de um setor terciário robusto e bem integrado ao mercado europeu.

Portugal também cresceu 0,8%, mas por razões diferentes. A economia lusitana se apoiou sobretudo na melhora do saldo comercial, impulsionada por uma forte queda nas importações, especialmente de derivados de petróleo. O desempenho compensou a fraqueza da demanda interna e manteve o país acima da média da zona do euro, mesmo com desaceleração em relação a 2024.

O contraste expõe um problema mais amplo. Enquanto Espanha e Portugal se beneficiam de estruturas produtivas mais flexíveis e de choques positivos específicos, o núcleo do bloco segue limitado por baixo potencial de crescimento. Alemanha, Itália e França avançaram apenas entre 0,2% e 0,3% no trimestre, números insuficientes para alterar o quadro de estagnação relativa.

“O crescimento do PIB italiano foi inferior ao da Espanha, em linha com o da Alemanha e ligeiramente superior ao da França”, afirmou Nicola Nobile, economista-chefe para a Itália da Oxford Economics. “O resultado não muda a visão de uma economia crescendo em linha com seu limitado potencial.”

Ainda assim, o mercado de trabalho europeu segue resiliente. O desemprego na zona do euro caiu para 6,2%, o menor nível desde 2008, um raro ponto de estabilidade em um continente que cresce pouco, envelhece rápido e depende cada vez mais de exceções para sustentar a média.

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