A Arábia Saudita acelera reformas para atrair capital estrangeiro, aliviar déficits fiscais e reduzir a dependência do petróleo. Desafios estruturais e concorrência direta de Dubai persistem.

A Arábia Saudita acelerou uma sequência de reformas econômicas em poucos meses para atrair capital estrangeiro e reduzir sua dependência do petróleo. O movimento ocorre em meio a déficits fiscais persistentes, volatilidade no preço do barril e crescente pressão sobre o ambicioso plano de diversificação liderado pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.
Congelamento de aluguéis, abertura do mercado imobiliário a estrangeiros, flexibilização de regras sobre bebidas alcoólicas e liberalização do mercado acionário fazem parte da ofensiva. O objetivo é claro: transformar o reino em um polo competitivo de investimento num momento em que o petróleo já não garante estabilidade orçamentária.
Desde 2022, as contas públicas operam no vermelho, enquanto o déficit em conta corrente já dura cinco trimestres consecutivos. A consequência tem sido maior endividamento, retração de megaprojetos e crédito mais escasso.
“Déficits fiscais e em conta corrente e a pressão sobre o financiamento doméstico significam que o país precisa de investimento estrangeiro direto”, afirmou Monica Malik, economista-chefe do Abu Dhabi Commercial Bank.
O cenário externo tampouco ajuda. A recente volatilidade dos preços do petróleo, somadas às tensões entre Estados Unidos e Irã, reforçam a percepção de risco na região. Mesmo com o Brent acima de US$ 70 por alguns dias, o valor ainda está distante dos quase US$ 100 necessários para equilibrar o orçamento saudita.
O reino pretende atrair US$ 47 bilhões em investimento estrangeiro direto neste ano e quase US$ 60 bilhões até 2027. Em 2024, o montante ficou em US$ 32 bilhões. Dados do Banco Mundial, porém, mostram que os fluxos líquidos vêm caindo desde 2022.
A liberalização do mercado de capitais, avaliado em US$ 2,6 trilhões, é outro pilar da estratégia. Desde fevereiro, investidores estrangeiros podem negociar diretamente ações sauditas, e o governo estuda permitir participações majoritárias em empresas locais. “Atrair investimento estrangeiro direto é a questão crítica. Tem sido a peça que faltava”, disse Mohamed Abu Basha, do banco EFG Hermes.
Ainda assim, Riyadh segue atrás dos Emirados Árabes Unidos em atratividade. Limitações de infraestrutura urbana, escolas, moradia e qualidade de vida continuam pesando.
“No longo prazo, o dinheiro virá para cá”, avaliou Richard Miller, da TCW Group. “Talvez não na velocidade que eles desejam, mas é inevitável.”
Leia mais:
Quer entender melhor o cenário atual? Leia também as últimas matérias que selecionamos para você.
Envie-nos o seu feedback em contato@wowgeopolitica.com.br.
Interessado em se conectar com leitores curiosos e informados? Anuncie conosco.