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Mario Draghi alerta que a União Europeia pode se tornar subordinada e desindustrializada se não avançar para um modelo federal capaz de enfrentar Estados Unidos e China no novo cenário geopolítico.

Imagem: Shutterstock

A União Europeia corre o risco de virar um grande mercado sem poder político real em um mundo cada vez mais hostil. Para Mario Draghi, a alternativa é clara: ou o bloco se transforma em uma federação de fato, ou aceitará a desindustrialização e a irrelevância estratégica.

O alerta foi feito na segunda-feira (02), na Bélgica, durante discurso do ex-primeiro-ministro italiano e ex-presidente do Banco Central Europeu na Universidade KU Leuven. Segundo Draghi, a Europa pode acabar “subordinada, dividida e desindustrializada” caso não abandone o atual modelo confederativo e avance para uma estrutura federal capaz de agir como potência.

Draghi situou o problema no colapso da ordem global que marcou o pós-Guerra Fria. Para ele, o processo começou com a entrada da China na Organização Mundial do Comércio e com a decisão do Ocidente de integrar ao comércio global um Estado “com ambições de se tornar um polo separado”. O resultado foi um mundo com menos regras, menos comércio e mais competição geopolítica aberta.

Nesse novo cenário, a pressão vem dos dois lados. De um lado, os Estados Unidos, que combinam parceria com imposição de interesses. “Os Estados Unidos estão impondo tarifas à Europa, ameaçando nossos interesses territoriais e deixando claro, pela primeira vez, que veem a fragmentação política europeia como algo que lhes serve”, afirmou Draghi. Do outro, a China, que controla pontos críticos das cadeias globais de suprimento e “exporta seus desequilíbrios” ao inundar mercados e restringir insumos estratégicos.

Para o ex-chefe do BCE, a resposta europeia tem sido insuficiente. Ele argumentou que apenas agrupar países não cria poder real. Onde houve integração profunda, como comércio, concorrência, mercado único e política monetária, a União Europeia é respeitada e negocia como um bloco. Como exemplo, citou os acordos comerciais recentes com a Índia e com países da América Latina. Já em áreas como defesa, política industrial e política externa, a Europa segue vulnerável.

“Um grupo de Estados que apenas coordena continua sendo um grupo de Estados, cada um com veto, cada um com seu próprio cálculo”, disse.

A proposta de Draghi é um “federalismo pragmático”, baseado em adesão voluntária e cooperação aprofundada entre os dispostos. No fim, ele explicou o dilema europeu.

“Permanecemos apenas um grande mercado ou damos os passos necessários para nos tornar uma potência?”

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