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Forças sírias entram em al-Hassakeh sob acordo com a SDF para estabilizar cessar-fogo e integrar instituições curdas ao Estado central, em postura de reconciliação.

Forças de segurança do Ministério do Interior da Síria entraram nesta segunda-feira na cidade de al-Hassakeh, no nordeste do país, como parte de um acordo com as Forças Democráticas Sírias (SDF), lideradas pelos curdos, com o objetivo de consolidar um cessar-fogo e estabilizar a região após semanas de confrontos. 

O acordo entre o governo de Damasco e a SDF foi formalizado na última sexta-feira (30) e prevê a implementação de um cessar-fogo abrangente e uma integração gradual das estruturas administrativas e militares curdas nas instituições do Estado sírio. As tropas que entraram em al-Hassakeh foram notificadas de que não poderão ser forças militares regulares nas áreas de maioria curda, mas sim unidades de segurança vinculadas ao ministério. 

Sob os termos do pacto, forças de segurança do governo supervisionarão instituições estatais como o serviço de passaportes, o registro civil e o aeroporto, enquanto as forças policiais locais curdas continuarão patrulhando as ruas, com a perspectiva de futura integração sob o guarda-chuva do ministério. 

A medida é vista como um passo importante para a reunificação administrativa e política de partes do território sírio que vinham operando de forma autônoma desde o início da guerra civil, há mais de uma década. A SDF, que havia perdido grande parte de seu território nas últimas semanas após um avanço das forças pró-governo, aceitou o acordo como meio de estabilizar a situação e preservar alguma influência local. 

A implementação já gerou movimentos adicionais: um toque de recolher foi imposto em al-Hassakeh e em Qamishli, outra cidade curda-dominante, enquanto tropas entravam em zonas de “segurança” pré-definidas sob supervisão internacional e com um nível de patrulha conjunta no ar e em terra. 

Para os curdos, o pacto representa uma derrota política significativa em termos de autonomia territorial, mas também uma oportunidade de integrar forças e instituições em uma estrutura estatal mais ampla sob salvaguardas que reconhecem direitos civis e culturais. Para Damasco, é uma chance de reconquistar autoridade sobre a totalidade do país após 14 anos de fragmentação. 

Apesar do tom conciliatório, o acordo ainda enfrenta desafios de implementação, sobretudo em relação à real extensão da autonomia curta, à integração verdadeira das brigadas curdas e à reação de atores regionais, como a Turquia, que se opõe historicamente à presença de forças curdas autônomas na Síria.

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