União Europeia debate “preferência europeia” para proteger indústria, mas proposta divide países e expõe dilema entre proteção econômica e mercado aberto.

Novos termos, velhas questões. Em um mundo que volta a girar em torno de poder, subsídios e barreiras, a União Europeia retomou discussões sobre protecionismo econômico.
Neste domingo (01), em Bruxelas, o vice-presidente da Comissão Europeia e comissário de Indústria, Stéphane Séjourné, defendeu a adoção de uma “preferência europeia” dentro do mercado comum. A proposta surge em meio à pressão competitiva crescente da China e dos Estados Unidos e expõe divisões internas profundas na União Europeia.
A ideia central é priorizar, em compras públicas e incentivos, produtos com componentes fabricados na Europa, seguindo modelos já adotados por outras potências. Em artigo assinado por Séjourné, que é o proponente direto da iniciativa, o comissário argumenta que a competitividade se tornou uma questão geopolítica.
“Devemos estabelecer, de uma vez por todas, uma verdadeira preferência europeia em nossos setores mais estratégicos”, escreveu. “Sempre que dinheiro público europeu for usado, ele deve contribuir para a produção europeia e empregos de qualidade.”
O discurso encontra apoio em países como França e Alemanha, que há anos defendem o fortalecimento da base industrial do bloco. Berlim, acompanhada pela Itália, pressiona também por simplificação regulatória, inclusive com críticas às regras ambientais, vistas como um fardo para a indústria automotiva. Em contraste, Estados menores alertam que a medida pode concentrar benefícios nas maiores economias e comprometer a abertura do mercado único.
Séjourné sustenta que a urgência é real. Segundo ele, apenas no último ano a União Europeia registrou um déficit comercial recorde de € 350 bilhões com a China.
“Sem uma política industrial ambiciosa, eficaz e pragmática, a economia europeia está condenada a virar um playground para seus concorrentes”, afirmou no texto.
O debate ocorre em um momento de frustração com a lentidão das reformas. Um relatório do Conselho Europeu de Inovação aponta que apenas 11% das recomendações de um estudo apresentado em 2024 por Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu, foram implementadas. Para o presidente do Conselho Europeu, António Costa, chegou a hora de destravar o processo.
“Espero que os líderes deem orientações políticas claras à Comissão e ao Conselho”, disse.
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