Após atingirem máximas, ouro e prata despencam. Pressão baixista veio de realização de lucros e pela indicação de um chefe do banco central dos Estados Unidos mais duro com juros.

A febre do ouro virou suor frio em poucos dias, revelando como decisões políticas em Washington seguem capazes de reprecificar ativos globais em questão de horas.
Após atingir máximas históricas no início de 2026, os preços do ouro e da prata despencaram de forma abrupta nos mercados internacionais entre quinta (29) e sexta-feira (30), em Nova York e nas principais bolsas de commodities. O movimento ocorreu após sinais de endurecimento da política monetária dos Estados Unidos, associados à indicação de Kevin Warsh para a presidência do FED, o banco central do país.
O ouro chegou a tocar US$ 5.600 por onça e recuou para a faixa de US$ 4.700, enquanto a prata sofreu uma queda de até 31%, a maior desde 1980. Analistas apontam uma combinação de realização intensa de lucros, fortalecimento do dólar e mudança de expectativas quanto aos juros norte-americanos. O anúncio do presidente Donald Trump, de que pretende substituir Jerome Powell por Warsh, conhecido por sua postura rígida contra cortes de juros, funcionou como catalisador do ajuste.
O rali recente dos metais preciosos foi alimentado por um ambiente de incerteza global. Tensões geopolíticas envolvendo Venezuela e Irã, disputas comerciais, críticas de Trump a aliados tradicionais e questionamentos sobre a independência do banco central dos Estados Unidos empurraram investidores para ativos considerados refúgio.
“Há uma verdadeira ruptura na forma como pensamos a ordem mundial”, afirmou Daniel McDowell, professor da Universidade de Syracuse, ao explicar o impulso psicológico por trás da corrida ao ouro.
Com os preços em níveis recordes, o mercado tornou-se vulnerável. Segundo Nikunj Saraf, CEO da Choice Wealth, a queda não foi misteriosa, mas previsível.
“A indicação de um presidente do banco central com viés mais duro sob Trump gerou temores de política monetária mais apertada, fortaleceu o dólar e esmagou metais sobrecomprados”, disse.
Apesar do tombo, analistas destacam que os fundamentos de longo prazo permanecem. A demanda de bancos centrais, a instabilidade geopolítica e o uso industrial da prata seguem sustentando uma visão estruturalmente positiva. Ainda assim, a volatilidade voltou ao centro do debate, lembrando investidores de que até os ativos mais tradicionais não estão imunes às decisões políticas.
Para quem apostava em proteção absoluta, o recado foi direto: em um mundo politicamente instável, até o porto seguro pode balançar.
Leia mais:
Quer entender melhor o cenário atual? Leia também as últimas matérias que selecionamos para você.
Envie-nos o seu feedback em contato@wowgeopolitica.com.br.
Interessado em se conectar com leitores curiosos e informados? Anuncie conosco.