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Milhares fogem do Vale de Tirah, no Paquistão, após alertas em mesquitas sobre possível ação militar. Governo nega operação, mas moradores e autoridades locais contestam a versão oficial.

Imagem: Atul Loke/The New York Times

Avisos ecoando em mesquitas, silêncio oficial em Islamabad e famílias fugindo sob a neve: o noroeste do Paquistão voltou a expor a frágil fronteira entre segurança nacional e deslocamento forçado. Nas últimas semanas, dezenas de milhares deixaram o remoto Vale de Tirah diante do temor de uma possível ação militar contra grupos islâmicos armados.

A região montanhosa da província de Khyber Pakhtunkhwa, na fronteira com o Afeganistão, é historicamente um reduto do Tehrik-e-Taliban Pakistan, grupo responsável por ataques frequentes às forças de segurança paquistanesas. Moradores relatam que os avisos para evacuação foram transmitidos diretamente pelas mesquitas, levando famílias inteiras a abandonar suas casas apesar do inverno rigoroso.

“As mensagens diziam que todos deveriam sair, então todos estavam saindo. Nós saímos também”, afirmou Gul Afridi, comerciante que fugiu com a família para a cidade de Bara. Autoridades locais, sob condição de anonimato, confirmaram que milhares de famílias estão sendo registradas para receber assistência emergencial.

O governo federal nega qualquer operação. O ministro da Defesa, Khawaja Muhammad Asif, classificou o deslocamento como migração sazonal causada pelo frio. A versão, porém, encontra resistência tanto entre moradores quanto entre autoridades provinciais. O chefe do governo de Khyber Pakhtunkhwa, Sohail Afridi, afirmou não ter sido consultado e descreveu a decisão como tomada “a portas fechadas”, rejeitando a tese de retorno voluntário por causa da neve.

Uma fonte militar paquistanesa disse que a retirada ocorreu após meses de consultas entre líderes tribais, autoridades distritais e forças de segurança, diante da presença de militantes operando entre civis. Segundo essa fonte, a saída temporária visaria reduzir riscos enquanto seguem “operações pontuais baseadas em inteligência”, sem preparação para uma ofensiva em larga escala devido ao terreno e ao clima.

Moradores rejeitam a explicação climática.

“Ninguém saiu por causa do frio”, disse Abdur Rahim. “Nevou por anos e sempre vivemos lá. As pessoas saíram por causa dos avisos.”

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