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Organização destaca falta de pagamento de contribuições, sobretudo dos Estados Unidos. Sem recursos, entidade pode fechar sua sede e suspender operações-chave já neste ano.

Imagem: Chris J. Ratcliff / Pool (EFE)

A Organização das Nações Unidas voltou a acionar o alarme máximo.

Sem o pagamento das contribuições obrigatórias de seus Estados-membros, a instituição afirma que pode ficar sem dinheiro em julho deste ano. O cenário, inédito na história do principal fórum diplomático global, pode forçar o fechamento da sede em Nova York já no início do segundo semestre.

Em carta enviada aos representantes dos 196 países-membros, o secretário-geral António Guterres classificou a situação como de “colapso financeiro iminente”. Segundo ele, a crise atual é mais grave do que episódios anteriores e ameaça diretamente o funcionamento de operações centrais da ONU, incluindo segurança internacional, ajuda humanitária e mediação de conflitos.

“A crise está se aprofundando, ameaçando a entrega de programas e colocando a organização em risco real de colapso financeiro”, escreveu.

O centro do problema é geopolítico e financeiro. Os Estados Unidos, maiores contribuintes da ONU, concentram cerca de 95% do total em atraso, aproximadamente US$ 2,2 bilhões, referentes a contribuições obrigatórias de 2025 e 2026. Além disso, Washington deve quase US$ 2 bilhões adicionais ligados a missões de paz, operações encerradas e tribunais internacionais.

Sem recursos, a ONU afirma que teria de suspender a Assembleia Geral de setembro, fechar o escritório que coordena respostas humanitárias globais e interromper reuniões do Conselho de Segurança, órgão responsável por decisões sobre guerras, sanções e missões de paz. O orçamento aprovado para 2026 é de US$ 3,45 bilhões.

A crise é agravada por uma regra criada em 1945 que obriga a ONU a devolver recursos não utilizados, mesmo quando a subexecução decorre do atraso no pagamento das contribuições. Para Guterres, a norma empurra a organização para um beco sem saída financeiro.
O cenário também reflete a postura recente do governo norte-americano, que se retirou de diversas agências internacionais, alegando desperdício e má gestão, e anunciou cortes em operações de paz.

“Quando se trata de pagar, é agora ou nunca”, resumiu o porta-voz da ONU, Farhan Haq. “Não temos reservas de caixa para continuar funcionando como antes.”

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