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Focada em legislação, Europa perde espaço na corrida da IA para Estados Unidos e China. Bloco reage com mais investimentos, mas segue limitada por capital escasso e excesso regulatório.

Imagem: Euractiv/Picture Alliance

A União Europeia decidiu disputar a corrida da inteligência artificial (IA) com o instrumento que mais domina: regras. O problema é que, enquanto Bruxelas legisla, Estados Unidos e China correm.

Nos últimos anos, o bloco europeu ficou para trás na criação de modelos avançados, no volume de investimentos e na infraestrutura crítica. Dados recentes mostram que os Estados Unidos já produziram 40 modelos fundacionais de IA, a China 15, enquanto toda a Europa somou apenas 3. O contraste escancara um dilema estratégico que mistura economia, soberania tecnológica e geopolítica.

O atraso não é apenas tecnológico. É estrutural. Enquanto Washington e Pequim despejam bilhões em capital de risco, data centers e chips, a União Europeia segue fragmentada em 27 mercados, com regras distintas e forte ênfase regulatória. O resultado é previsível: fuga de talentos, escassez de capital e startups europeias que nascem no continente, mas escalam do outro lado do Atlântico.

“A União Europeia deveria parar de se parabenizar por ser a reguladora mundial da tecnologia e focar em tornar a Europa o lugar mais competitivo do planeta”, afirmou Clark Parsons, da European Startup Network.

O impacto econômico é direto. Os Estados Unidos investem de 4 a 10 vezes mais em inteligência artificial do que a União Europeia. Em uma década, o capital privado norte-americano superou US$ 400 bilhões, contra cerca de US$ 50 bilhões atraídos por todos os países europeus juntos. Sem escala e com financiamento limitado, empresas europeias enfrentam ciclos de venda mais longos, contratos menores e custos maiores para expandir além de suas fronteiras nacionais.

Bruxelas reconhece o risco. Em fevereiro de 2025, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que, a partir de agora, a estratégia do bloco será “IA primeiro”, prometendo “não poupar esforços para transformar a Europa em um continente de inteligência artificial”. Programas como o InvestAI, que prevê mobilizar €200 bilhões, e a construção de gigafábricas de chips tentam correr atrás do prejuízo.

Ainda assim, a dependência externa permanece elevada. Provedores norte-americanos dominam mais de 70% do mercado europeu de computação em nuvem, controlam a maior parte da capacidade de processamento avançado e fornecem os principais modelos usados por empresas do bloco. A China, por sua vez, avança rapidamente em patentes e aplicações industriais.

Paradoxalmente, onde a Europa pode vencer não é na invenção, mas no uso. Empresas industriais europeias já adotam inteligência artificial em ritmo comparável, ou até superior, ao de concorrentes norte-americanos. O desafio é transformar adoção em produtividade, crescimento e competitividade global.

A corrida segue aberta, mas o relógio corre contra Bruxelas. “A corrida da IA está longe de terminar”, bradou von der Leyen.

A dúvida é se a Europa conseguirá acelerar antes que as regras se tornem seu principal legado.

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