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Secretário-geral Mark Rutte alerta que Europa não pode se defender sem os Estados Unidos e que autonomia militar exigiria gastos de até 10% do PIB.

Imagem: Kay Nietfeld/dpa

A Europa voltou a flertar com um velho sonho estratégico: garantir sua própria segurança sem Washington. A resposta veio sem rodeios, e com ironia calculada, da mais alta autoridade da Otan.

Na segunda-feira (26), na cidade francesa de Estrasburgo, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou diante do Parlamento Europeu que a União Europeia simplesmente não tem condições de se defender sem os Estados Unidos. A declaração ocorre poucos dias após as ameaças do presidente norte-americano Donald Trump de assumir o controle da Groenlândia, episódio que levou a aliança transatlântica a um de seus momentos mais delicados dos últimos anos.

Rutte foi direto ao ponto. Segundo ele, qualquer ideia de autonomia militar europeia plena não passa de fantasia.

“Se alguém aqui pensa que a União Europeia ou a Europa como um todo pode se defender sem os Estados Unidos, continue sonhando. Não pode”, afirmou aos parlamentares.

O alerta veio acompanhado de números incômodos: para substituir o apoio militar norte-americano, os países europeus teriam de elevar seus gastos com defesa para algo próximo de 10% do PIB e investir “bilhões e bilhões” de euros, inclusive para construir um dissuasor nuclear próprio.

O debate ganhou força após a crise diplomática envolvendo a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, quando Trump ameaçou usar força e tarifas comerciais. Embora o presidente norte-americano tenha recuado após negociações, o episódio expôs a fragilidade estratégica europeia e reacendeu pressões internas por maior autonomia militar.

Ainda assim, Rutte insistiu que o compromisso dos Estados Unidos com o Artigo 5 da Otan permanece “total”. Ao mesmo tempo, deixou claro que Washington espera mais esforço financeiro dos aliados europeus, elogiando Trump por forçar todos os membros da aliança a atingirem ao menos 2% do PIB em gastos militares.

O secretário-geral também criticou propostas de criação de um Exército europeu independente, classificando-as como duplicação ineficiente. Segundo ele, tal iniciativa apenas agradaria Moscou.

“Vai tornar tudo mais complicado. Acho que Putin vai adorar”, disse.

Ao final, Rutte resumiu o dilema europeu com franqueza rara: sem os Estados Unidos, a conta da defesa seria astronômica. E, politicamente, o preço da ilusão pode ser ainda maior.

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