Rússia retira tropas do aeroporto de Qamishli, no nordeste da Síria, em meio a ofensiva do governo sírio e ajustes estratégicos no terreno.

Forças russas iniciaram a retirada de tropas e equipamentos do aeroporto de Qamishli, no nordeste da Síria, em um movimento que pode indicar uma redução de sua presença militar na região, informaram nesta segunda‑feira (26) várias fontes sírias. A retirada começou na semana passada e ocorre em meio à ofensiva das forças do governo sírio para retomar territórios controlados por unidades curdas das Forças Democráticas Sírias (SDF).
As tropas russas estavam estacionadas no aeroporto de Qamishli desde 2019, embora a força ali fosse relativamente pequena em comparação com as instalações militares russas na Síria, como a base aérea de Hmeimim, no oeste do país, que a Rússia aparentemente manterá.
De acordo com as fontes, a retirada está sendo realizada de forma gradual, com parte do efetivo e equipamentos sendo transferidos para a base aérea russa de Hmeimim e outra parte retornando à Rússia. Observadores citaram movimentação de veículos militares e armamentos pesados sendo carregados em transportes para fora do aeroporto nos últimos dias.
O avanço do governo sírio sob o presidente Ahmed al‑Sharaa tem levado à retomada de amplas áreas no norte e leste da Síria que anteriormente estavam sob controle curdo. Nesse contexto, o aeroporto de Qamishli perdeu parte de sua importância estratégica para Moscou, especialmente se Damasco consolidar o controle territorial.
O frágil cessar‑fogo entre o governo sírio e as SDF foi recentemente prorrogado por 15 dias, oferecendo uma trégua temporária no meio de confrontos que têm redesenhado o equilíbrio de poder no nordeste sírio.
Até o momento, o Ministério da Defesa da Rússia não comentou oficialmente a retirada, e permanece incerto se o movimento representa apenas um reposicionamento de recursos ou um recuo mais amplo da presença russa na região. Analistas destacam que, se o governo sírio assumir controle pleno do território, a presença russa em locais como Qamishli pode ser considerada redundante.
A mudança sinaliza um possível ajuste estratégico das forças russas na Síria, acompanhando transformações no campo de batalha e esforços de Damasco para recuperar soberania territorial em áreas antes dominadas por forças curdas e seus aliados externos.
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