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Acordos comerciais elevaram em 17% as exportações dos Estados Unidos para emergentes, redirecionando grãos e petróleo. O movimento, porém, não compensou a forte queda no comércio com a China.

Imagem: The White House

Mesmo em meio a tensões crescentes com a China, os acordos comerciais firmados pelos Estados Unidos redesenharam o mapa do comércio global e impulsionaram as exportações do país para mercados emergentes. O resultado foi um salto expressivo nas vendas externas, acompanhado de novas relações geoeconômicas.

Em 2025, as exportações marítimas norte-americanas para 20 grandes economias emergentes, excluindo a China, cresceram 17%. O volume total embarcado passou de 190 milhões de toneladas em 2024 para 223 milhões no ano seguinte, com destaque para grãos e energia.

Países asiáticos como Vietnã, Paquistão e Bangladesh ampliaram rapidamente suas compras agrícolas após negociações tarifárias com Washington. O Vietnã, tradicional comprador de milho sul-americano, elevou suas importações de milho dos Estados Unidos em 21 vezes, na esteira de um acordo que reduziu tarifas sobre seus produtos têxteis.

“É um fenômeno muito interessante”, afirmou Ishan Bhanu, analista da Kpler, consultoria responsável pelo estudo ao lado da Nikkei, ao destacar a mudança abrupta no padrão histórico de compras.

Dinâmica semelhante ocorreu no Paquistão, onde as importações de soja dispararam após um pacto comercial firmado em julho, e em Bangladesh, que passou a comprar trigo norte-americano mesmo a preços mais elevados do que os praticados por outros fornecedores tradicionais, como Rússia e Argentina. “Por causa do acordo, agora eles estão comprando muito dos Estados Unidos, mesmo com preços mais altos”, disse Bhanu.

O avanço não se limitou à agricultura. As exportações de petróleo bruto para esses mercados emergentes cresceram 58%, com a Índia assumindo papel central. Pressionada por tarifas punitivas impostas por Washington devido à compra de petróleo russo, Nova Délhi aumentou significativamente suas importações de petróleo dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que reduziu as compras da Rússia.

Apesar do crescimento, o reposicionamento teve custos. As exportações norte-americanas para a China despencaram 65% em 2025, queda que não foi totalmente compensada pelo avanço em outros mercados. Um estudo acadêmico apontou que a política tarifária deve reduzir o crescimento econômico dos Estados Unidos em 0,36%.

Ainda assim, a estratégia segue firme.

“Os mercados emergentes continuaram comprando produtos dos Estados Unidos, atentos aos termos das negociações e às relações com Washington”, resumiu Bhanu.

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