Após incômodo com discurso de PM canadense em Davos, Trump ameaça impor tarifas de 100% ao Canadá se o país aprofundar acordos comerciais com a China.

A relação entre Estados Unidos e Canadá entrou em um novo patamar de tensão. No último sábado (24), o presidente norte-americano Donald Trump ameaçõu impor tarifas de 100% sobre todos os produtos canadenses caso Ottawa avance em acordos comerciais com a China.
A ameaça foi feita por meio da rede Truth Social, dias depois de o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, anunciar uma parceria estratégica com Pequim e defender, em Davos, que a ordem mundial liderada pelos Estados Unidos estaria rompida. Trump afirmou que, se o Canadá fizer um acordo com a China, “será imediatamente atingido por uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos”.
Embora Trump não tenha detalhado a que acordo se referia, o alerta ocorre após Canadá e China anunciarem avanços para reduzir tarifas bilaterais. Pelo entendimento firmado com o presidente chinês Xi Jinping, Pequim reduzirá tarifas sobre o óleo de canola canadense de 85% para 15% até março, enquanto o Canadá diminuirá impostos sobre veículos elétricos chineses de 100% para 6,1%, a taxa de nação mais favorecida.
O gesto foi interpretado como uma tentativa de Ottawa de diversificar parceiros comerciais e reduzir a dependência do mercado norte-americano, responsável pela maior fatia das exportações canadenses. Essa estratégia ganhou força após anos de incerteza provocados pelas políticas tarifárias intermitentes de Trump.
O presidente dos Estados Unidos reagiu duramente à possibilidade de o Canadá se tornar uma plataforma para produtos chineses entrarem no mercado norte-americano.
“Se Carney acha que vai transformar o Canadá em um porto de transbordo para a China enviar mercadorias aos Estados Unidos, está muito enganado”, escreveu.
As tensões se agravaram depois que Carney defendeu que países médios deveriam se unir contra coerções econômicas de grandes potências. Trump respondeu afirmando que “o Canadá vive por causa dos Estados Unidos” e chegou a retirar um convite para que o país integrasse seu recém-criado Conselho de Paz.
O ministro do Comércio Canadá-Estados Unidos, Dominic LeBlanc, tentou conter a escalada. “Não há qualquer negociação de um acordo de livre comércio com a China”, afirmou. Segundo ele, o foco do governo é fortalecer a economia canadense e ampliar parcerias comerciais ao redor do mundo.
Leia mais:
Quer entender melhor o cenário atual? Leia também as últimas matérias que selecionamos para você.
Envie-nos o seu feedback em contato@wowgeopolitica.com.br.
Interessado em se conectar com leitores curiosos e informados? Anuncie conosco.