Pequim investiga o general Zhang Youxia, braço direito de Xi Jinping, em mais um expurgo no alto comando militar. A ofensiva anticorrupção expõe tensões internas em meio à modernização das Forças Armadas.

A China confirmou a abertura de uma investigação contra Zhang Youxia, general mais graduado das Forças Armadas e um dos aliados mais próximos do presidente Xi Jinping. O caso atinge o núcleo do poder militar chinês em um momento de acelerada modernização e crescente projeção de força no cenário regional.
Zhang ocupa o cargo de vice-presidente da Comissão Militar Central, órgão máximo de comando das forças chinesas. Segundo o Ministério da Defesa, ele é investigado por “graves violações de disciplina e da lei”. Também está sob apuração Liu Zhenli, chefe do Estado-Maior Conjunto.
A queda de Zhang é incomum. Trata-se do segundo membro em exercício da comissão a ser afastado desde o período da Revolução Cultural. Ele também integra o Politburo do Partido Comunista, um círculo restrito do poder político em Pequim.
A investigação faz parte da ampla campanha anticorrupção lançada por Xi Jinping em 2012. Nos últimos anos, a ofensiva passou a atingir diretamente os escalões superiores do Exército Popular de Libertação. Em 2023, a Força de Foguetes foi alvo de um expurgo de grandes proporções.
Embora apresentada como um esforço moralizador, a campanha tem efeitos práticos. A instabilidade no alto comando vem retardando processos de aquisição de armamentos e afetando receitas de grandes empresas do setor de defesa.
O momento não é trivial. Pequim tem adotado uma postura cada vez mais assertiva no Mar do Sul da China, no Mar do Leste da China e em relação a Taiwan. No ano passado, realizou os maiores exercícios militares já registrados ao redor da ilha.
Zhang não é um oficial comum. Ele é um dos poucos generais chineses com experiência real de combate. Lutou contra o Vietnã nos conflitos de fronteira de 1979 e 1984. Tornou-se, a partir daí, um defensor da modernização militar e do aprimoramento doutrinário.
Sua permanência no comando além da idade usual de aposentadoria era vista como reflexo da confiança pessoal de Xi Jinping. Ambos são da província de Shaanxi e filhos de veteranos da guerra civil chinesa.
Analistas acompanham o caso com cautela. Para James Char, da Universidade Tecnológica de Nanyang, as operações diárias devem seguir normalmente, mas o recado político é inequívoco.
“A modernização continuará seguindo os dois objetivos definidos por Xi: concluir o processo até 2035 e transformar o Exército Popular de Libertação em uma força de padrão mundial até 2049”, afirmou.
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