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Líderes afirmam que a ordem global está mudando, mas ainda sem ruptura definitiva. Eles defendem foco em resiliência, autonomia econômica e adaptação a um mundo mais instável e fragmentado.

Imagem: Harici

O debate sobre o futuro da ordem internacional ganhou novos contornos em Davos, onde líderes financeiros rejeitaram a ideia de que o sistema global já teria entrado em colapso.

Para essas autoridades, o mundo atravessa uma fase de reacomodação de poder e interesses, marcada por tensões crescentes, mas ainda longe de uma ruptura definitiva das regras que estruturam a economia e a política internacionais.

A reação veio após declarações do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, que defendeu que o antigo arranjo global estaria encerrado. Em discurso recente, Carney afirmou que o mundo estaria entrando em um período em que “os fortes fazem o que podem e os fracos sofrem o que devem”, sugerindo o fim da aparência de respeito a acordos internacionais.

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, discordou publicamente da leitura. Para ela, o cenário atual exige menos retórica apocalíptica e mais pragmatismo estratégico.

“Não tenho certeza de que deveríamos falar em ruptura”, afirmou. “Acho que deveríamos falar em alternativas. Precisamos identificar melhor as fragilidades, os pontos sensíveis, as dependências e a autonomia.”

O tom cauteloso reflete um diagnóstico compartilhado por autoridades econômicas: o sistema internacional não colapsou, mas tornou-se mais fragmentado, instável e menos previsível. A chefe da Organização Mundial do Comércio, Ngozi Okonjo-Iweala, reconheceu que a incerteza atingiu níveis elevados, citando episódios recentes envolvendo ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra aliados históricos, como a Dinamarca.

Ainda assim, Okonjo-Iweala descartou um retorno ao passado.

“Não acho que voltaremos ao ponto em que estávamos”, disse, defendendo que países concentrem esforços em fortalecer suas economias e regiões. “Se eu estivesse governando um país, estaria tentando me fortalecer e fortalecer minha região, construindo resiliência.”

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, reforçou que a instabilidade não é um fenômeno novo, mas parte de um processo em curso há anos. Segundo ela, choques continuarão ocorrendo e os governos precisam se adaptar. “Não estamos mais no Kansas”, afirmou, em referência ao fim do conforto de um mundo previsível.

Lagarde, por sua vez, adotou um tom irônico ao comentar críticas recentes à Europa.

“O ataque à Europa foi útil. Devemos até agradecer, porque nos fez perceber que precisamos estar mais focados e trabalhar em planos B”, concluiu.

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