Venezuela deve entre US$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões à China em dívida atrelada a petróleo, e controle dos fluxos de crude pelos EUA complica pagamentos.

A Venezuela enfrenta um impasse complexo em sua relação financeira com a China, decorrente de décadas de empréstimos atrelados ao petróleo, em um momento em que o controle dos fluxos de exportação de petróleo cru foi assumido pelos Estados Unidos após a captura do presidente Nicolás Maduro no início de janeiro de 2026.
A situação dificulta a capacidade de Caracas de honrar parte de sua dívida com Pequim, intensificando tensões geopolíticas em meio a esforços de reestruturação de dívida.
Estimativas atuais sobre o tamanho da dívida venezuelana com credores chineses variam, mas análises de mercado apontam que o montante pendente está entre US$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões, embora dados oficiais precisos sejam escassos desde que a Venezuela entrou em default em 2017 sob o peso de sanções internacionais.
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Pesquisadores do AidData estimaram que, entre 2000 e 2018, a China estendeu cerca de US$ 106 bilhões em empréstimos ao país sul-americano, dos quais uma fração significativa permaneceu devida em 2017.
O principal mecanismo de pagamento desses empréstimos tradicionalmente foi o fornecimento de petróleo venezuelano, entregue por meio da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) a compradores chineses, com parte dos volumes direcionada ao serviço da dívida.
Documentos internos citados por fontes de mercado indicam que exportações de petróleo cru e óleo combustível a partir da Venezuela foram da ordem de aproximadamente 642 mil barris por dia para a China, com uma pequena fração utilizada diretamente para abater parcelas da dívida.
Com o novo controle norte-americano sobre a comercialização do petróleo venezuelano, a rota tradicional de pagamento foi alterada: as receitas são agora direcionadas a uma conta no Catar sob administração dos Estados Unidos, o que pode impedir que pagamentos fluam diretamente para credores chineses sem a autorização de Washington.
Essa dinâmica acrescenta um elemento de risco adicional às negociações de reestruturação de dívida, que já enfrentam desafios devido à falta de dados confiáveis e à ausência de relatórios oficiais completos desde 2019.
A combinação de dívida, sanções e controle externo sobre ativos estratégicos torna a recuperação econômica venezuelana e qualquer acordo com a China mais difíceis, com potenciais repercussões para futuros credores e estruturas multilaterais de reestruturação.
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