Cercada por pressão econômica, disputas internas e temor de tarifas, UE tenta desamarrar aplicação do acordo com bloco sul-americano de aprovação judicial.

A política comercial da União Europeia segue sob forte pressão, atacanda tanto por Washington quanto por dissidênicas internas.
A primeira batalha é o tratado com o Mercosul. Aprovado após mais de 25 anos de negociações, o pacto foi encaminhado à Corte Europeia de Justiça, o que pode atrasar sua entrada em vigor por até dois anos. Diplomatas, no entanto, avaliam que a aplicação provisória pode começar já em março, possivelmente com o Paraguai sendo o primeiro a ratificar.
Defensores do acordo argumentam que ele é crucial para compensar perdas com tarifas norte-americanas e reduzir a dependência da China. O chanceler alemão Friedrich Merz foi direto.
“Não há alternativa se quisermos maior crescimento na Europa”.
Dissedentes, liderados por Paris, foram soturnos sobre a possível entrada em vigor sem revisão judicial. Maud Bregeon, porta-voz do governo francês, declarou que uma aplicação provisória “constituiria uma forma de violação democrática“. Representantes do setor agrícola ecoaram as palavras de Bregeon, classificando a proposta como uma “negação à democracia”.
Paralelamente, nesta quinta-feira (22), a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, afirmou que trabalhará para finalizar rapidamente o acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos.
A mudança de postura ocorreu depois de um acordo de princípios sobre o futuro da Groenlândia, ainda pouco detalhado, fazer com que o presidente norte-americano, Donald Trump, retirasse a ameaça de tarifas sobre produtos europeus.
Metsola indicou que a votação pode ocorrer nos próximos dias, mas encontrou resistência dentro da própria Casa. Bernd Lange, presidente da comissão de comércio internacional, afirmou que não há decisão tomada e que qualquer avanço dependerá de avaliação política e dos termos do acordo envolvendo a Groenlândia.
O tema ganhou peso geopolítico diante do temor europeu de novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. Embora o acordo esteja longe de um tratado clássico de livre comércio, ele é visto por líderes nacionais como instrumento de estabilidade econômica.
O primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, afirmou que a pausa no Parlamento foi diretamente ligada às ameaças tarifárias e que o retorno ao diálogo seria natural. Já o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, defendeu a manutenção do acordo.
“Temos um acordo com os EUA,” disse Martin. “Na minha opinião, tanto EUA quanto Europa devem mantê-lo”.
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