Chanceler alerta que Europa precisa cortar burocracia e investir em defesa diante da disputa global e da crescente importância estratégica do Ártico.

A ordem internacional tradicional cede espaço, rapidamente, a um mundo movido por força, dissuasão e competição estratégica.
Foi com esse diagnóstico direto que o chanceler alemão Friedrich Merz elevou o tom em Davos e colocou o Ártico no centro do debate europeu sobre defesa, economia e sobrevivência geopolítica.
Falando no Fórum Econômico Mundial, na Suíça, Merz instou países europeus a reduzir a burocracia, fortalecer suas Forças Armadas e assumir maior responsabilidade estratégica diante de um cenário global pressionado por Rússia, China e pelos próprios Estados Unidos. O chanceler defendeu mais gastos militares e menos entraves regulatórios para preservar competitividade econômica e segurança em um mundo cada vez mais protecionista.
O discurso ganhou peso adicional diante da crescente relevância do Ártico, região que voltou aos holofotes após o presidente norte-americano Donald Trump reiterar o interesse dos Estados Unidos em assumir o controle da Groenlândia. Embora Trump tenha afirmado que não buscaria esse objetivo pela força, o tema expôs fragilidades europeias e reacendeu preocupações estratégicas em Berlim.
O fato é que o Ártico deixou de ser periferia geopolítica. O corredor marítimo e aéreo entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido, conhecido como GIUK Gap, é considerado um ponto crítico para o monitoramento de movimentos navais russos entre o Atlântico Norte e o Ártico. Além disso, o degelo progressivo abre novas rotas comerciais, ampliando o valor econômico e estratégico da região.
A Alemanha já participou recentemente de uma missão de reconhecimento liderada pela Dinamarca na Groenlândia, com a presença de soldados da Bundeswehr, as Forças Armadas do país. Segundo o analista Henrik Schilling, do Instituto de Política de Segurança da Universidade de Kiel, a capacidade técnica existe, mas o gargalo é estrutural.
“Você não pode fazer tudo, então precisa definir prioridades.”
Merz foi direto ao criticar a cultura regulatória europeia, que, segundo ele, compromete crescimento e competitividade. “Tornamo-nos campeões mundiais da super-regulamentação. Isso precisa acabar”, declarou. E finalizou deixando um recado claro.
“Democracias não têm subordinados. Elas têm aliados, parceiros e amigos de confiança”.
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