Trump pressiona por investimentos bilionários no petróleo da Venezuela, mas grandes petroleiras veem riscos legais e econômicos elevados.

O petróleo venezuelano voltou ao jogo, mas a realidade insiste em desafiar o discurso político. Enquanto a Casa Branca fala em bilhões e venda uma “retomada estratégica”, as grandes petroleiras ocidentais respondem com cautela, calculadora na mão e memória longa dos riscos já enfrentados no país.
Na última semana, o presidente Donald Trump intensificou a pressão para que empresas de energia dos Estados Unidos invistam cerca de US$ 100 bilhões na recuperação do setor petrolífero da Venezuela. A promessa é usar o petróleo para reduzir preços globais e reforçar a segurança energética regional.
O problema é que o setor privado não compartilha do mesmo entusiasmo nem do mesmo senso de urgência.
A Chevron, única grande petroleira norte-americana ainda operando na Venezuela, tornou-se peça-chave desse plano. Com cerca de 240 mil barris diários, aproximadamente um terço da produção atual do país, a empresa poderia dobrar esse volume rapidamente. Ainda assim, seus executivos resistem a compromissos bilionários enquanto persistirem incertezas políticas, jurídicas e econômicas.
“Você não pode gastar bilhões de dólares em petróleo abaixo de US$ 40 o barril. Isso não acontece em lugar nenhum do mundo”, afirmou Amos Hochstein, ex-assessor de energia do governo Biden.
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Trump aposta que a abertura forçada do setor ajudará a derrubar o preço do barril para cerca de US$ 50, tornando o petróleo pesado venezuelano ainda menos atraente do ponto de vista econômico. A equação, pouco sedutora para acionistas, expõe a distância entre a ambição política e a lógica empresarial.
Outras gigantes, como Exxon Mobil e ConocoPhillips, também demonstraram reservas. Ambas carregam o histórico de ativos expropriados pela Venezuela e ainda mantêm disputas judiciais bilionárias contra o país.
“Não é que as empresas não operem em lugares arriscados. O receio é a incapacidade de avaliar o risco neste momento”, resumiu Luisa Palacios, ex-presidente da Citgo, subsidiária norte-americana da venezuela PDVSA.
Mesmo entre os interessados, o consenso é claro: sem garantias legais, segurança contratual e mudanças no regime jurídico do petróleo, a maioria continuará à margem. Jason Bennett, advogado especializado no setor, foi didático.
“Ainda estamos no passo um: fechar um acordo com a Venezuela.”
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