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União Europeia promete “pressão máxima” para forçar Índia e China a abandonar o petróleo russo. Moscou responde reorganizando sua cadeia de exportação.

Imagem: Reuters

Bruxelas decidiu apertar o cerco energético a Moscou atacando um alvo sensível: os grandes compradores asiáticos de petróleo russo.

A União Europeia anunciou que pretende exercer “pressão máxima” sobre China e Índia para que abandonem o petróleo do Kremlin, apostando na combinação de preços baixos e sanções mais duras para sufocar as receitas de guerra russas.

O recado foi dado pelo enviado europeu para Sanções, David O’Sullivan, em Bruxelas. Segundo ele, o momento é favorável porque o mercado global está inundado de petróleo e os indicadores da economia de guerra russa “estão piscando vermelho”. Para O’Sullivan, a queda dos preços amplia a vulnerabilidade do regime de Vladimir Putin e abre espaço para constranger países que mantêm negócios energéticos com Moscou.

“Esta é a nossa oportunidade de exercer pressão máxima sobre outros países para se afastarem do petróleo russo e atingir ainda mais as receitas do Kremlin”, afirmou.

A estratégia europeia vai além de discursos. Bruxelas prepara o 20º pacote de sanções contra a Rússia, com conclusão prevista para 24 de fevereiro, data que marca quatro anos da invasão em larga escala da Ucrânia. Entre as medidas em discussão está até mesmo a proibição de serviços europeus a petroleiros russos, iniciativa defendida por países como Finlândia e Suécia.

Enquanto isso, os números mostram que a Europa, ao menos, faz sua parte. A dependência do gás russo caiu de 45% para 13% das importações do bloco, e o petróleo russo despencou de 27% para apenas 2%. O problema agora está fora do continente, sobretudo na Índia, hoje o segundo maior comprador mundial de petróleo russo.

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Nova Délhi transformou o petróleo de Moscou em um pilar de sua política energética desde o início da guerra, aproveitando descontos generosos. Mesmo após sanções recentes impostas pelos Estados Unidos, as importações indianas caíram apenas parcialmente e já há sinais de adaptação russa para contornar as restrições. Analistas apontam o surgimento de novos exportadores russos, criados para funcionar como intermediários e driblar sanções direcionadas a gigantes como Rosneft e Lukoil.

Homayoun Falakshahi, analista da Kpler, explica que o Kremlin não pretende assistir passivamente ao aperto ocidental. “Os russos não vão simplesmente sentar e ver as sanções entrarem em vigor, eles vão tentar contorná-las o máximo possível”, disse. Segundo ele, a reorganização da cadeia de suprimentos pode levar apenas alguns meses.

O fator econômico pesa mais que a diplomacia. A Índia importa cerca de 90% do petróleo que consome, e o barril russo chega a custar até US$ 10 a menos do que o produto do Oriente Médio. Para refinarias indianas, trata-se de uma tentação difícil de recusar. “O desconto é atraente demais para os refinadores indianos não comprarem o petróleo”, avaliou June Goh, da Sparta Commodities.

Washington tentou elevar o custo político dessa escolha com tarifas punitivas e ameaças comerciais, mas encontrou resistência. Autoridades indianas tratam o tema como questão de soberania nacional. Moscou, por sua vez, reforça a parceria e promete estabilidade. Durante visita à Índia, Vladimir Putin garantiu que as remessas de petróleo russo permanecerão “ininterruptas”.

Entre a pressão europeia, a insistência russa e o pragmatismo indiano, o jogo energético segue longe de uma solução rápida. Para Bruxelas, a aposta é clara: apertar o cerco agora, quando o petróleo está barato, pode ser a melhor chance de atingir o caixa do Kremlin.

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