Para retomar competitividade, Bloco conclama empresários a buscar fornecedores dentro do continente e estuda atrelar financiamento à produção local. Países menores temem ser engolidos.

Às vésperas da apresentação da Lei de Aceleração Industrial, marcada para o próximo dia 29, a Comissão Europeia intensificou a pressão para que a indústria pesada do continente apoie explicaitamente sua política de “Made in Europe”.
A mensagem é clara: Bruxelas tenta reagir, ainda que tardiamente, à perda de competitividade frente à China e aos Estados Unidos.
Em carta assinada pelo vice-presidente executivo francês Stéphane Séjourné, a Comissão aponta que a Europa precisa escolher entre uma política industrial “ambiciosa e pragmática” ou aceitar a erosão gradual de sua base produtiva e soberania econômica.
O discurso reflete a constatação de que tarifas, subsídios massivos e restrições comerciais já dominam a economia global, enquanto o bloco europeu permanece preso a normas regulatórias cada vez mais custosas.
A Lei de Aceleração Industrial pretende impulsionar setores intensivos em energia, como aço, cimento e alumínio, conciliando descarbonização com competitividade.
Entre as propostas em discussão está a exigência de que entre 60% e 80% da produção financiada com recursos públicos seja de origem europeia. A medida abriria espaço ainda para enquadrar como “Made in Europe” empresas estrangeiras que produzissem no território do bloco.
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A iniciativa, no entanto, expõe divisões internas. Países como França e Alemanha tendem a se beneficiar mais rapidamente do novo arcabouço. Nações menores, todavia, demonstram preocupação. Nove Estados-membros já alertaram para riscos à concorrência, preços e qualidade dentro do mercado comum. A Polônia e os Países Baixos exigem estudos de impacto antes de qualquer avanço.
Em paralelo, Bruxelas anunciou tarifas antidumping entre 88,7% e 110,6% sobre a alumina fundida chinesa, insumo essencial para a produção de aço, vidro, cerâmica e aplicações de defesa. Segundo a Comissão, a medida busca garantir segurança de abastecimento e reduzir a dependência europeia da China em setores estratégicos.
Após anos de discursos sobre livre comércio e neutralidade climática, a União Europeia, confronta pela realidade, admite agora copiar modelos que sempre criticou. Carta assinda por líderes industriais do continente é sintomática da mudança.
“Os chineses têm o ‘Made in China’, os norte-americanos têm o ‘Buy American’. Então, por que não nós?”
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