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Bruxelas estuda uma “adesão reversa” para dar à Ucrânia direitos de membro antes da conclusão de reformas totais. Líderes esperam que pressão de Donald Trump ou sanções internas destravem o processo.

Imagem: União Europeia

A União Europeia articula uma estratégia sem precedentes para conceder direitos de membro à Ucrânia de forma gradual, possivelmente já em 2027.

Apelidado informalmente de “alargamento reverso”, o plano permitiria que Kiev ocupasse um assento à mesa do bloco antes mesmo de concluir todas as reformas estruturais exigidas. A medida visa a ancorar o país no Ocidente e fortalecer sua posição em um eventual acordo de paz com o Kremlin.

Baseada no conceito de uma “Europa a várias velocidades” de Emmanuel Macron, a proposta inverte a lógica tradicional de adesão. Em vez de exigir o cumprimento total dos critérios antes da entrada, a UE concederia direitos e obrigações por fases. Para o governo ucraniano, a formalização de uma data é uma garantia de segurança vital contra a agressão russa. Volodymyr Zelenskyy, presidente ucraniano, destacou a urgência do cronograma.

“Nós estaremos tecnicamente prontos até 2027. A data deve ser assinada pela Ucrânia, Europa, EUA e Rússia, pois a UE para nós significa garantias de segurança.”

Apesar do entusiasmo, o plano enfrenta resistência interna. A Alemanha demonstra cautela quanto à criação de “membros de segunda classe”, enquanto o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, permanece como o principal obstáculo político. Budapeste tem utilizado seu poder de veto para bloquear o avanço de Kiev, classificando a Ucrânia como um dos países mais corruptos do mundo.

Diplomatas europeus, no entanto, apostam em variáveis externas para destravar o processo. Uma delas é a eleição húngara em abril, primeira ameaça real ao poder de Orban em anos. A outra, surpreendentemente, é a influência de Donald Trump. A expectativa é que, caso a adesão à UE seja incluída em um plano de paz mediado por Washington, Trump pressione os opositores a ceder. Uma fonte diplomática reforçou a relevância psicológica da medida.

“É importante enviar uma mensagem política. Os ucranianos precisam de apoio e a UE deve fornecer isso, política e psicologicamente, após quatro anos de guerra de agressão.”

Se a diplomacia falhar, Bruxelas mantém o “botão nuclear” do Artigo 7 do Tratado da UE no horizonte. A medida poderia suspender os direitos de voto da Hungria por violação de valores fundamentais. A convicção deixa claro que a integração da Ucrânia não é mais apenas uma questão burocrática, mas um imperativo geopolítico para a estabilidade do continente.

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