União Europeia eleva relação com o Vietnã ao mais alto nível diplomático, ampliando comércio e cooperação estratégica. Giro na Ásia sinaliza busca por parceiros previsíveis diante das tensões com os Estados Unidos.

Em meio à crescente desconfiança sobre a relação transatlântica, a União Europeia decidiu acelerar seu giro geoeconômico rumo à Ásia. O destino escolhido foi o Vietnã, elevado agora ao mais alto nível diplomático da política externa europeia.
Bruxelas e Hanói anunciaram nesta quinta-feira (29) a elevação da relação bilateral ao status de parceria estratégica abrangente, a categoria mais elevada da diplomacia vietnamita. O movimento ocorreu durante visita do presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, ao país, logo após sua passagem pela Índia, onde a União Europeia firmou um acordo histórico de livre comércio.
O gesto carrega forte simbolismo geopolítico. Em um momento de tensão com Washington, marcada por disputas comerciais e pela crise envolvendo a Groenlândia, a União Europeia busca parceiros considerados “confiáveis e previsíveis” em um sistema internacional cada vez mais fragmentado.
“Em um momento em que a ordem internacional está sob ameaça, precisamos estar lado a lado como parceiros confiáveis e previsíveis”, afirmou Costa.
O aprofundamento da relação também reflete interesses econômicos claros. A União Europeia é hoje o quarto maior parceiro comercial do Vietnã e seu terceiro principal mercado de exportação. O comércio bilateral alcançou cerca de US$ 74 bilhões no último ano, impulsionado pelo acordo de livre comércio em vigor desde 2020. À época, o intercâmbio somava US$ 55 bilhões.
O contexto externo favorece a aproximação. O Vietnã foi atingido por uma tarifa “recíproca” de 20% imposta pelos Estados Unidos, parte da estratégia de Washington para reduzir seu déficit comercial com o país asiático. Para Hanói, a diversificação de parceiros tornou-se prioridade de Estado.
“A elevação das relações é um exemplo vívido da política externa vietnamita de multilateralismo e diversificação”, afirmou o presidente Luong Cuong.
A parceria inclui cooperação em matérias-primas críticas, energia, infraestrutura, semicondutores e inteligência artificial, além de defesa e segurança. O comunicado conjunto também destacou a importância da estabilidade no Mar do Sul da China e de uma paz “justa e sustentável” na Ucrânia.
Ao final, Costa resumiu o espírito do acordo ao reconhecer diferenças, mas enfatizar convergências estratégicas.
“Não vemos tudo da mesma forma, mas apoiamos plenamente o multilateralismo, a Carta das Nações Unidas e os princípios de soberania e integridade territorial.”
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