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EUA e China aceleram o “divórcio econômico”, investindo trilhões em autossuficiência de chips, energia e alimentos. Sob forte pressão geopolítica, comércio bilateral despenca para níveis de 2010.

Imagem: Kevin Lamarque/Reuters

As duas maiores potências do planeta, Estados Unidos e China, avançam para um “divórcio econômico” conturbado em 2026. O processo de ruptura, antes focado em bens de consumo, agora atinge o cerne da segurança nacional: semicondutores, energia e segurança alimentar. Washington e Pequim buscam, simultaneamente, o que chamam de “independência estratégica”.

O governo chinês alocou cerca de US$ 1 trilhão para acelerar sua autossuficiência. O montante financia desde subsídios agrícolas massivos em Heilongjiang até o desenvolvimento de tecnologias de ponta em chips. O objetivo de Xi Jinping é claro: deixar de ser o “parceiro júnior” do Ocidente e liderar a próxima fronteira tecnológica.

Do outro lado do Pacífico, a administração de Donald Trump utiliza tarifas como arma para ressuscitar a manufatura americana. A estratégia, detalhada na Estratégia de Segurança Nacional de 2025, visa quebrar a dependência de minerais críticos e componentes estratégicos. Austin Ramirez, CEO da industrial Husco, resume a pressão do mercado.

“Alguns clientes estão exigindo exposição zero à China.”

A participação da China nas importações dos EUA despencou para cerca de 7,5% no final de 2025. O índice apaga mais de duas décadas de crescimento acumulado desde a entrada de Pequim na OMC. Para compensar, a China inunda o resto do mundo com bens baratos e redireciona componentes via Sudeste Asiático para burlar tarifas.

No setor de tecnologia, Pequim responde às restrições de exportação dos EUA com inovação doméstica. Sem acesso às máquinas de litografia mais avançadas, Pequim aposta no “empilhamento vertical” de chips para aumentar a eficiência. O fundo estatal chinês Big Fund injetou bilhões de dólares em fabricantes de equipamentos especializados para eliminar gargalos estrangeiros.

Na agricultura, a soja tornou-se a “ficha geopolítica” definitiva. O governo chinês oferece subsídios para produtores domésticos que chegam a ser 17 vezes maiores do que os do milho. O foco é proteger a indústria de suínos, fonte vital de proteína para 1,4 bilhão de pessoas, contra possíveis bloqueios comerciais.

Enquanto isso, os EUA buscam alternativas para minerais de terras raras através de alianças com Japão, México e União Europeia. O plano inclui a criação de “zonas de comércio preferencial” para isolar o domínio chinês sobre materiais essenciais para eletrônicos e equipamentos militares.

Apesar da retórica de isolamento, ambos os lados mantêm laços táticos. Trump aprovou a venda de chips H200 da Nvidia para a China, enquanto Pequim mantém a compra de 25 milhões de toneladas de soja americana para sustentar uma trégua comercial temporária antes da cúpula de abril.

A desconexão entre as duas superpotências redesenha as cadeias de suprimentos globais de forma permanente. O que antes era uma integração profunda deu lugar a uma competição de soma zero por autonomia. O sucesso de cada nação dependerá de sua capacidade de inovar internamente sem colapsar sob o peso de custos de produção elevados e inflação tarifária.

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