Bruxelas e Londres aceleram negociações para estreitar laços comerciais e militares após dez anos de Brexit. O avanço ocorre sob pressão econômica e o avanço da direita populista britânica.

A proximidade do décimo aniversário do Brexit parece ter forçado uma reaproximação pragmática entre a União Europeia e o Reino Unido. O atual contexto geopolítico hostil e a fragilidade econômica britânica aceleram conversas sobre integração em áreas sensíveis como defesa, alfândega e comércio.
O governo trabalhista de Keir Starmer busca um reset nas relações com Bruxelas para estancar a volatilidade comercial que atinge o país. Recentemente, a chanceler Rachel Reeves reuniu-se com chefes da economia da União Europeia em Downing Street para discutir a redução de barreiras burocráticas no Canal da Mancha.
Apesar da resistência inicial, Starmer sofre pressão interna para reconsiderar a adesão a uma união aduaneira. Contudo, Bruxelas mantém a posição de que não há acesso parcial ao Mercado Comum sem a aceitação da livre circulação de pessoas, tema que alimenta o crescimento da direita populista de Nigel Farage nas pesquisas.
O setor de defesa também é prioridade, com Londres tentando integrar o esquema europeu de € 90 bilhões destinado à assistência militar para a Ucrânia. O objetivo é permitir que Kiev utilize esses recursos para adquirir sistemas de defesa produzidos em solo britânico, o que exige um acordo financeiro complexo.
O governo francês lidera o movimento para que países fora do bloco, como o Reino Unido, contribuam financeiramente para participar do projeto. A ideia é que essas contribuições ajudem a pagar os juros do empréstimo, estimados entre € 2 bilhões e € 3 bilhões por ano.
Em discurso no Senado espanhol, a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, afirmou que “dez anos depois do Brexit, em um mundo que mudou tão profundamente, a Europa e o Reino Unido precisam de uma nova forma de trabalhar juntos”. A política maltesa defendeu ainda que “é hora de exorcizar os fantasmas do passado, redefinir nossa parceria e encontrar soluções juntos”.
Enquanto isso, Bruxelas já negocia uma “cláusula Farage” para se proteger caso uma futura mudança de governo em Londres rompa os novos acordos.
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