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Parlamento Europeu discute cláusulas para anular acordo com os Estados Unidos caso Trump volte a ameaçar a Groenlândia, refletindo a desconfiança estrutural na relação transatlântica.

Imagem: Doug Mills/The New York Times

Em Bruxelas, a diplomacia virou cláusula contratual.

Os três maiores grupos políticos do Parlamento Europeu discutem salvaguardas para aprovar o acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos, negociado em julho do ano passado. A ideia é condicionar sua validade ao respeito à soberania territorial da Groenlândia e do Reino da Dinamarca. A proposta surge como resposta direta ao histórico recente de ameaças feitas por Trump.

Deputados de centro-esquerda e liberais defendem a inclusão de uma cláusula que anule automaticamente o acordo caso o presidente norte-americano volte a questionar o controle dinamarquês sobre a ilha no Ártico. A ideia é reforçar dispositivos de suspensão já existentes, definindo explicitamente que ameaças territoriais ou novas tarifas acionariam o bloqueio do tratado.

“Precisaremos de salvaguardas com uma referência clara à soberania territorial, direcionadas à imprevisibilidade de Trump”, afirmou um integrante do grupo Socialistas & Democratas, sob condição de anonimato. Segundo parlamentares do grupo liberal Renovar a Europa, a mesma lógica valeria para eventuais ameaças tarifárias unilaterais.

O impasse congelou a ratificação do acordo após Trump ameaçar impor tarifas a aliados europeus que apoiassem a Groenlândia, território autônomo sob soberania dinamarquesa. Desde então, o Partido Popular Europeu, de centro-direita, pressiona pela liberação do texto, alegando que o presidente norte-americano recuou das ameaças mais explícitas.

Ainda assim, a desconfiança permanece. Parlamentares discutem incluir uma cláusula de revisão periódica e até retirar do acordo dispositivos ligados ao aço, enquanto persistirem tarifas de até 50% sobre produtos siderúrgicos europeus, consideradas violação do teto de 15% acordado.

Outra proposta, mais sensível, foi pedir à Comissão Europeia que investigue possível coerção por parte de Washington, o que abriria caminho para o Instrumento Anticoerção da União Europeia. O mecanismo, porém, enfrenta forte resistência interna.

“Anticoerção é uma arma nuclear comercial. Não é diplomacia séria, é só para drama”, disse a eurodeputada Željana Zovko.

A votação do posicionamento do Parlamento pode ocorrer entre 23 e 24 de fevereiro. Até lá, a União Europeia segue tentando provar que, no comércio internacional, confiança também se escreve em letras miúdas.

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