Reguladores instruíram instituições a reduzirem investimentos em títulos do Tesouro dos EUA para mitigar riscos de mercado. A medida refletea crescente desconfiança sobre a estabilidade fiscal de Washington.

Reguladores chineses recomendaram que as principais instituições financeiras do país limitem suas posições em títulos do Tesouro dos EUA. A diretriz foca na mitigação de riscos de concentração e na volatilidade do mercado. Embora a medida não se aplique às reservas estatais da China, ela sinaliza uma cautela crescente do setor privado chinês em relação aos ativos denominados em dólar.
Pequim justifica a orientação como uma estratégia de diversificação de risco de mercado, distanciando a decisão de manobras geopolíticas imediatas. No entanto, o movimento ocorre em um contexto de debate global sobre o status de “porto seguro” da dívida americana, exacerbado pelas incertezas sobre a disciplina fiscal de Washington e a futura independência do Federal Reserve sob a administração Trump. Fontes comentaram:
“A orientação reflete uma preocupação crescente de que grandes participações em dívida do governo dos EUA possam expor os bancos a oscilações bruscas de mercado.”
Historicamente o maior credor dos EUA, a China tem reduzido consistentemente seu estoque de Treasuries, que atingiu US$ 683 bilhões em novembro, nível mais baixo desde 2008. Atualmente, o país ocupa o terceiro lugar no ranking de detentores estrangeiros, atrás de Japão e Reino Unido. Analistas sugerem que parte dessa queda pode ser contábil, com Pequim transferindo ativos para contas de custódia na Europa para evitar detecção direta.
Mesmo diante da pressão chinesa, o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, defendeu a resiliência do mercado americano de dívida:
“Apesar da narrativa popular, o mercado de Treasuries entregou seu melhor desempenho desde 2020 e registrou demanda recorde de estrangeiros em leilões no ano passado.”
A notícia provocou uma leve alta nos rendimentos dos títulos americanos e uma desvalorização pontual do dólar. O cenário permanece complexo para os investidores, que monitoram de perto a cúpula presidencial entre Donald Trump e Xi Jinping em abril, enquanto o ouro e o iene enfrentam flutuações recordes no sistema financeiro global de 2026.
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