UE e Índia fecham maior acordo comercial da história, cortam €4 bilhões em tarifas e buscam proteção contra as tensões do comércio global.

Em meio à turbulência do comércio global, a União Europeia decidiu jogar pesado e fechou com a Índia o maior acordo comercial de sua história. O pacto escancara uma mudança estratégica de Bruxelas, que acelera sua diplomacia econômica diante das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump.
O acordo de livre-comércio foi selado nesta terça-feira (27) em Nova Délhi, durante visita da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa. A iniciativa prevê a redução ou eliminação de tarifas sobre cerca de 96% das exportações europeias para a Índia, com economia estimada em €4 bilhões por ano para empresas do bloco.
O tratado surge como resposta direta ao novo ambiente geoeconômico. A Índia enfrenta tarifas de até 50% aplicadas por Washington, enquanto a União Europeia viu suas próprias tarifas triplicarem no último ano. Diante disso, Bruxelas passou a buscar mercados alternativos para reduzir riscos e dependências.
“Entregamoso acordo dos acordos”, afirmou von der Leyen, classificando o pacto como um marco entre “dois gigantes”.
Entre os principais beneficiados estão as montadoras europeias. As tarifas indianas sobre automóveis serão reduzidas gradualmente de 110% para 10%, dentro de um sistema de cotas. Setores como máquinas, produtos químicos, farmacêuticos, aço e ferro também terão tarifas quase totalmente eliminadas ao longo da próxima década. Vinhos e azeite de oliva, tradicionais alvos de barreiras indianas, terão reduções expressivas.
Ao mesmo tempo, o acordo preserva áreas politicamente sensíveis. Produtos agrícolas estratégicos, como carnes, açúcar, arroz e laticínios, ficaram fora do escopo, atendendo a pressões tanto de agricultores europeus quanto da indústria rural indiana. O pragmatismo marcou a negociação.
“Se isso é sensível para você, não vamos tocar”, disse Maroš Šefčovič, comissário europeu de Comércio, ao descrever a nova abordagem.
Do lado indiano, o primeiro-ministro Narendra Modi afirmou que o pacto abre “grandes oportunidades” para ambas as economias. A expectativa de Bruxelas é dobrar as exportações para a Índia até 2032, criando um mercado potencial de dois bilhões de consumidores.
O acordo ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu, pelo Conselho Europeu e pelo governo indiano, com implementação prevista para janeiro de 2027.
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