Chanceler visita Pequim e garante venda de 120 jatos Airbus. Alemão cobra fim de subsídios chineses e pede ajuda de Xi Jinping para mediar paz na Ucrânia ante incertezas norte-americanas.

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O chanceler alemão Friedrich Merz desembarcou em Pequim nesta quarta-feira (25) para uma visita de Estado que busca reequilibrar a relação comercial entre a maior economia da Europa e a China.
Em reuniões com o presidente Xi Jinping e o primeiro-ministro Li Qiang, Merz adotou uma postura de realismo pragmático: ao mesmo tempo em que garantiu a venda de até 120 aeronaves da Airbus, ele apresentou queixas diretas sobre o déficit comercial de € 90 bilhões e as distorções causadas por subsídios estatais chineses.
O líder alemão enfatizou que a dinâmica atual, em que as exportações chinesas inundam o mercado europeu enquanto as empresas alemãs enfrentam barreiras, “não é saudável”.
Por sua vez, Xi Jinping aproveitou o encontro para posicionar a China como uma defensora da estabilidade e do livre comércio, contrastando com a política tarifária dos Estados Unidos, e defendeu a parceria estratégica entre Berlim e Pequim como essencial em um mundo “caótico”.
A agenda diplomática também abrangeu temas de segurança global, com Merz solicitando que a China utilize sua proximidade com Moscou para mediar o fim do conflito na Ucrânia. Embora tenha elogiado o compromisso teórico de Pequim com a paz, o chanceler ouviu de Xi a reiteração de que qualquer solução deve considerar as “preocupações legítimas de todos os lados”, retórica que evita a condenação direta da Rússia.
Merz reforçou ainda a posição alemã de que qualquer movimento em relação a Taiwan deve ocorrer de forma pacífica.
VISÃO WOW
A viagem de Merz a Pequim evidencia a tentativa da Alemanha de construir uma “terceira via” diante do isolacionismo comercial de Washington.
Ao levar consigo uma delegação composta por representantes de gigantes como BMW e Volkswagen, Merz reconhece que a prosperidade industrial alemã ainda está profundamente vinculada ao mercado chinês, apesar dos riscos de dependência.
O chanceler utiliza a incerteza gerada pelas tarifas dos Estados Unidos como uma alavanca de negociação: oferece a Pequim a manutenção do acesso ao mercado europeu em troca de concessões reais em subsídios e acesso a minerais críticos. Trata-se de uma arquitetura diplomática complexa, por meio da qual Berlim tenta evitar ser esmagada pela rivalidade entre as duas superpotências.
O movimento, contudo, carrega um alto custo político. A aproximação de Merz com Xi Jinping ocorre em um momento em que Donald Trump já alertou aliados sobre o perigo de buscar na China a solução para problemas econômicos.
A Alemanha caminha sobre uma linha tênue: precisa do crescimento chinês para estancar a perda de empregos industriais em casa, mas não pode se afastar excessivamente da órbita de segurança dos norte-americanos.
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