Blocos assinam maior acordo comercial da história, buscando resiliência estratégica e menor dependência da China. Acordo carece de aprovações nos legislativos europeu e nacionais.

A União Europeia e o Mercosul assinaram no último sábado (17) o maior acordo comercial da história dos blocos.
A conclusão das tratativas encerra 25 anos de negociações e abre uma nova frente geopolítica em meio à fragmentação da ordem econômica global.
O pacto cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, reunindo 27 países europeus a Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, em um mercado de cerca de 700 milhões de pessoas. Assinado pelos respectivos executivos, o acordo segue agora para aprovação do Parlamento Europeu e ratificação pelos legislativos nacionais do Mercosul.
Mais do que tarifas, o entendimento reflete uma inflexão política.
Com a participação europeia na economia global em queda e cadeias de suprimento sob pressão após a guerra na Ucrânia, Bruxelas busca acesso estável a matérias-primas críticas e parceiros menos alinhados a Pequim. O Brasil, por exemplo, concentra parcelas relevantes da produção mundial de alumínio, grafite, tântalo e domina o mercado global de nióbio, insumo estratégico para tecnologia avançada e defesa.
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O setor automotivo europeu, especialmente o alemão, pressionado por tarifas norte-americanas e concorrência chinesa, aparece entre os principais beneficiados. “É de suma importância encontrar novos mercados”, explicou Matthias Zink, executivo da fabricante Schaeffler.
Todavia, ao mesmo tempo em que reforça parcerias externas, o acordo expõe também fissuras internas na Europa. França, Polônia, Irlanda, Áustria e Hungria se opuseram à assinatura, alegando riscos ao setor agrícola e impactos ambientais. Foram, porém, derrotadas por maioria qualificada, algo incomum em decisões dessa magnitude.
“Escolhemos o comércio justo em vez de tarifas. Escolhemos uma parceria produtiva e de longo prazo em vez do isolamento”, defendeu Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, durante a cerimônia.
Em um cenário de competição direta com China, Rússia e, cada vez mais, Estados Unidos, o pacto sinaliza que a Europa prefere diversificar alianças a permanecer dependente de regimes autoritários ou pouco confiáveis.
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