A Arábia Saudita prepara um redesenho profundo de Neom, reduzindo sua escala e priorizando setores como data centers e IA. As mudanças vêm em resposta à pressão fiscal e ao petróleo mais barato.

A Arábia Saudita prepara uma revisão profunda de Neom, seu mais ambicioso megaprojeto urbano, sinalizando uma inflexão geoeconômica relevante na estratégia do reino para lidar com restrições fiscais, preços moderados do petróleo e disputas tecnológicas globais.
Idealizado em 2017 como símbolo da modernização saudita, Neom deverá ser significativamente reduzido e redesenhado. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, presidente do projeto, passou a defender algo “muito menor”, reconhecendo falhas no conceito, na comunicação e na execução inicial.
O ajuste ocorre em um momento delicado para as finanças de Riad. Após uma década de gastos agressivos, a liquidez se tornou mais apertada, ao mesmo tempo em que o país enfrenta prazos rígidos e custos elevados para sediar a Expo 2030 e a Copa do Mundo de 2034. Nesse contexto, a racionalização de Neom surge menos como recuo e mais como tentativa de preservar viabilidade econômica.
O principal símbolo do projeto, The Line, uma cidade linear futurista planejada para cortar o deserto por 170 quilômetros, será radicalmente transformado. Arquitetos já trabalham em um conceito mais “modesto”, que aproveite a infraestrutura existente. A mudança aponta para uma guinada pragmática: menos espetáculo urbano e mais foco em setores industriais estratégicos.
Entre eles, ganham destaque os centros de dados e a economia digital. Segundo uma das fontes, Neom pode se tornar um grande polo de data centers, beneficiando-se da localização costeira, que permite resfriamento com água do mar, além do acesso a energia renovável em larga escala. A iniciativa se alinha à ambição do príncipe Mohammed de posicionar o reino como ator relevante em inteligência artificial.
Outros projetos também sofreram cortes. O resort de esqui Trojena, por exemplo, foi reduzido e deixará de sediar os Jogos Asiáticos de Inverno de 2029. A revisão mais ampla foi iniciada após a saída abrupta do então CEO Nadhmi al-Nasr, em novembro de 2024, e conduzida por seu sucessor, Aiman al-Mudaifer.
Em declaração, a comunicação oficial de Neom afirmou que o projeto passa por ajustes de prioridades com vistas a “alinhar-se aos objetivos nacionais e criar valor de longo prazo”. Já o príncipe herdeiro foi direto ao justificar possíveis cancelamentos.
“Não hesitaremos em cancelar ou fazer qualquer emenda radical se o interesse público assim exigir”.
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