Ações de software despencam sob temor de que a IA substitua o modelo SaaS. CEOs veem exagero de Wall Street e defendem que a integração tecnológica criará novas chances de mercado.

O setor de software corporativo vive um paradoxo no início de 2026. Enquanto CEOs celebram o que chamam de momento mais empolgante da computação em nuvem, Wall Street responde com uma liquidação massiva. O temor central é a chamada “desintermediação”, situação na qual agentes de IA poderiam substituir plataformas de CRM e gestão.
Os indicadores de mercado refletem esse pessimismo sistêmico de forma agressiva. O WisdomTree Cloud Computing Fund, ETF focado no segmento, registrou queda de 20% no início do ano. Empresas como HubSpot e Figma enfrentam retrações de até 40%, evidenciando uma reavaliação drástica do valor de empresas Software as a Service (SaaS).
Essa “dissonância cognitiva” destaca um conflito de visões. De um lado, as empresas veem a IA como ferramenta de aprimoramento; do outro, o mercado financeiro enxerga apenas o potencial de destruição dessas franquias. Aaron Levie, da Box, defende que investidores subestimam a necessidade de fornecedores especializados.
“Esse movimento reflete um entendimento equivocado de como as empresas gastam seus recursos e energia”, afirmou Aaron Levie, CEO da Box.
A pressão sobre o setor aumentou significativamente com os avanços recentes da Anthropic. O lançamento de recursos para finanças e jurídico no modelo Claude Cowork colocou a startup em rota de colisão com a OpenAI e o Google Gemini. O foco agora é vender assinaturas para grandes corporações.
Nesse cenário, os mercados de capitais parecem já ter escolhido seus vencedores. Infraestruturas e desenvolvedores de modelos de base atraem rodadas bilionárias. A OpenAI mira avaliações de US$ 800 bilhões, enquanto o valor de mercado da Alphabet disparou para US$ 4 trilhões após alta de 60%.
Entretanto, analistas de instituições como Stifel e Cantor sugerem que o movimento é um exagero. Eles observam que compradores de TI não estão abandonando soluções de software, mas integrando-os à IA. O negócio da HubSpot, por exemplo, permanece sólido, conforme relatórios recentes de mercado.
Essa visão é compartilhada por investidores veteranos, que veem na volatilidade uma oportunidade. O argumento é que o caos gera janelas estratégicas para quem tem convicção no valor residual do software, como destacou Byron Deeter, da Bessemer Venture Partners.
“Muito dinheiro será ganho por quem tiver convicção nas apostas certas agora”, escreveu Byron Deeter em sua conta na rede social X.
Para sobreviver, provedores de software precisam abraçar a IA com rapidez. A tecnologia força os incumbentes a fazerem mais pelos seus clientes, o que é positivo para o mercado. O desafio é provar que a “camada semântica” do software continua sendo o porto seguro para os dados corporativos.
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