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Israel bombardeia sedes da Guarda Revolucionária e da milícia Basij para incitar revolta no Irã. Enquanto Trump oferece anistia a desertores, regime tenta escolher sucessor em meio aos bombardeios.

Imagem: Reuters

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Israel e Estados Unidos intensificaram nesta quarta-feira (04) uma ofensiva cirúrgica contra os pilares de sustentação interna do regime iraniano.

Os ataques aéreos miram as sedes da Guarda Revolucionária (IRGC) e da milícia Basij, forças responsáveis pela repressão que matou mais de 7.000 pessoas em janeiro.

O objetivo estratégico é paralisar o aparato de segurança para fomentar uma revolta popular que derrube o governo teocrático. Em Teerã, o quartel-general de Tharallah – nervo central da inteligência e repressão – foi atingido, enquanto em Qom, um bombardeio visou ao local onde clérigos debateriam a sucessão de Ali Khamenei.

Apesar da pressão militar, o governo de Donald Trump apresenta sinais ambíguos: enquanto o presidente incita a população ao levante e oferece anistia a desertores, assessores negam que a “mudança de regime” seja a meta oficial.

No front interno, a repressão continua letal, com o Judiciário iraniano ameaçando de morte qualquer cidadão que apoie a intervenção estrangeira.

VISÃO WOW

O inimigo do meu inimigo é meu amigo?

Benjamin Netanyahu e Donald Trump parecem apostar nisso.

Já durante os protestos que varreram a capital Teerã e outras cidades no ínico deste ano, tanto o primeiro-ministro israelense quanto o presidente norte-americano oferecem palavras de apoio – e, para alguns, financiamento – à população iraniana.

O timing da invasão não é fruto do acaso. Ela vem em um momento de feridas latentes no Irã, enquanto mais de 7.000 famílias ainda choram as vítimas da repressão.

Escolher justamente esse momento reduz o risco do efeito “rally round the flag”: a disparada momentânea de apoio popular a um regime interno, por mais odiado que seja, frente a uma invasão estrangeira.

Os ataques de precisão às forças de segurança dão continuidade à estratégia. São a forma de Israel e os Estados Unidos dizerem: “estamos tirando os inimigos do caminho, o resto é com vocês!”.

É, ao mesmo tempo, uma busca por reduzir baixas norte-americanas e israelenses na ofensiva e a necessidade de uma invasão terrestre.

Não há, porém, paralelos históricos que indiquem sucesso na empreitada. Dado a capilaridade do regime e seus tentáculos por todas as áreas, os riscos vão de mudanças meramente cosméticas a fragmentação institucional, como mostra o caso Líbio.

Além disso, e talvez ainda mais importante, ainda que a população efetivamente derrube o regime, não existem indicativos – fora a leviana esperança de gratidão – de que verá os estrangeiros com melhores olhos.

No final das contas, o inimigo do meu inimigo nada mais é do que isso. Para ser meu amigo, falta muito ainda.

SUA VISÃO

A destruição do aparato de repressão aérea é suficiente para que o povo iraniano derrube o regime ou a intervenção estrangeira acaba por unir a população em torno dos seus próprios opressores?

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